
Parece que é desta! A novela Jorge Jesus, que alimentou páginas e páginas de jornais nos últimos tempos, chegou o fim. O grande J.J. está de malas aviadas para o Benfica. Independentemente do (in)sucesso que o treinador venha a ter no comando das 'águias', continuarei a defender que Jesus é, dentro das quatro linhas, o melhor técnico do futebol nacional.
Na Luz, a tarefa não se avizinha fácil, nada mesmo. A ausência de uma estrutura directiva sólida, por si só, é suficiente para impedir qualquer treinador de desempenhar a sua missão de forma eficaz.
Não tenho a mínima dúvida que se estivesse no FC Porto, Jesus teria, no mínimo, ganho tudo o que o homólogo dos 'dragões' conseguiu. É certo que o currículo como treinador, apesar dos muitos anos de experiência acumulados no cargo, não impressiona, mas as qualidades do treinador há muito lhe são reconhecidas. Em Setúbal, quando esteve ao serviço no Vitória, contactei directamente com Jesus. Na preparação técnica e táctica do plantel e na rapidez com que faz a leitura dos jogos, mexendo na equipa onde e quando o deve fazer, destaca-se de todos os outros.
Desde a sua experiência no Bonfim, no início do século, o treinador mudou e evoluiu. A forma "bruta" como comunicava com os atletas, dizem-me, já não é a mesma e as conferências de imprensa continuam a ser uma incógnita. Rotina é coisa que não existe. O tradicional "vamos jogar para ganhar" e "no futebol há três resultados possíveis" raramente fazem parte do discurso.
Ao longo dos anos, o treinador presenteou-nos com muitas pérolas. No Benfica, onde qualquer corte de cabelo ou unha encravada é notícia, nenhuma declaração de Jesus passará despercebida. É aconselhável, sem obliterar a personalidade que o caracteriza, que J.J. se resguarde para não cair no ridículo. Dizer o essencial, com uns pontapés na gramática à mistura, mas sem se alongar para não dar tiros nos pés. A ver vamos.
Deixo aqui algumas frases lapidares do treinador publicadas no maisfutebol.
- «O processo de neutralização do jogador pertence ao forno interno do clube»;
- «Quero aproveitar para dedicar esta vitória a todos os motocards da Amadora que vieram até aqui»;
- «O fair-play é uma treta»;
- «A equipa de arbitragem não deixa. Como resolvo isto? Só resolvo na playstation»;
- «Com essa equipa dava-lhe 3 de avanço, mudava aos 5 e acabava aos 10». Em Agosto de 2007, após o Belenenses perder por 1-0, com o Real Madrid, no Troféu Teresa Herrera e dirigindo-se ao treinador dos espanhóis, Bernd Schuster ;
- «Também posso dizer que, com aqueles jogadores, aquilo (exibição) foi muito poucochinho». Na mesma conferência de imprensa, respondendo a Schuster, que acusara o Belenenses de ser defensivo;
- «Não sei o que é jogar para empatar. Já tentei entender, mas não consigo»;
- «O terceiro golo [penalty] surge de um lance que está na moda. Os treinadores têm de passar a contratar jogadores manetas».