quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dexter


É possível simpatizar com uma personagem de uma série de televisão que na primeira temporada mata o irmão, na segunda a amante e na terceira o melhor amigo? Se a sua resposta é não, é porque não conhece Dexter Morgan.
Michael C. Hall, que já tinha comprovado o seu talento no magnífico "Sete Palmos de Terra", interpreta um meticuloso investigador forense que nas horas vagas, e às vezes nas de expediente, elimina os criminosos que a Justiça não puniu.
A terceira temporada da série, de 12 episódios cada, chegou ontem ao fim na FOX. Resta-me aguardar pela estreia da 4.ª temporada de "Dexter" para voltar a ser cúmplice do serial-killer mais fascinante que o pequeno écrã já me deu a conhecer.
A razão de Dexter ser, para mim, um objecto de culto deve-se a dois motivos: elenco irrepreensível (todos os secundários são únicos e inesquecíveis, incluíndo muitos dos que são eliminados) e o trabalho inteligente dos argumentistas.
Se alguém me perguntar onde estive nas últimas semanas, de segunda a sexta-feira, entre as 23:52 e 00:40, tenho um alibi de respeito: Dexter.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O bazar da Isabel

Desde que tenho memória que me lembro de ver a minha mãe fazer mil e uma coisas com agulhas e novelos de lã e outros têxteis. Eu, os meus irmãos e alguns (poucos) familiares e amigos mais próximos tiveram o privilégio de ser presenteados com umas botinhas de lã, de quando em vez, ou, caso a criatividade estivesse para aí virada, umas camisolas bem fofinhas.
A chegada das netas - Beatriz e Matilde - levou a minha mãe, paulatinamente, a recuperar um dom que parecia estar esquecido. Depois das botinhas e camisolinhas, a minha mãe tem-se dedicado às malas. É sempre bom quebrar a rotina!
Eis algumas variantes de malas que a minha mãe tem artesanalmente fabricado. Quem já teve a sorte de ser presenteada assegura ter gostado do modelo. É possível escolher os tamanhos, as cores, os adereços (flores e bonecos, por exemplo) e até as asas.
Se ficarem interessados, aceitam-se encomendas. Espero que gostem.







terça-feira, 28 de julho de 2009

Sete com tudo a que têm direito…

"Lunch atop a Skyscraper" (New York Construction Workers Lunching on a Crossbeam) é uma famosa fotografia captada por Charles C. Ebbets durante a construção do edifício Rockefeller Center em 1932.
Nota - Quem esteve no jantar no Sancho Pança reconhece a imagem.

Quem não esteve presente no passado jantar de domingo, pode estar a perguntar-se o que quer dizer “sete com tudo a que têm direito”. É que esta foi uma das frases mais repetidas ao longo do repasto.
Pão de alho com tudo a que tínhamos direito, os crepes XL com todas as molhangas a que tínhamos direito, por mais que tivéssemos que esperar por eles (e não pensem que foi pouco tempo - o que vale é que valeu a pena a espera, não foi Girino?), mas, sobretudo, gargalhadas temperadas de amizade (e canela, não é Luísa?) como todos temos direito…
Os que não estiveram leram bem: sim, fomos só sete Magníficos. Por uma ou outra razão, muitos não puderam estar presentes, mas não se preocupem porque TODOS os ausentes foram, sem excepção, caluniados e difamados.
A Sandra, por exemplo, já sabe que tem a cabeça a prémio na sessão de paintball proposta pelo nosso Manuocean (para quando não sabemos, até porque as sugestões manuelinas têm sempre prazos MUITOOO dilatados – é o que te vale pexita!)
Relembrou-se também a ida à Quinta da Regaleira (ideia da Raquel) e uma ida ao Kartódromo de Palmela para diversão a alta velocidade (mais uma proposta manuelina).
Por falar em actividades radicais, sabem que a Luísa saltou de pára-quedas? Pois é, a nossa alentejanita mostrou de que fibra é feita e conquistou os ares de Évora! Prometeu foto para o Saudinha.
Com tanta conversa e agitação, as fotos foram sendo adiadas e com a saída repentina para um serviço da nossa equipa médica, acabámos por não ficar com registos fotográficos, a não ser repetidas fotos do Girino com os olhos fechados, que o Saudinha achou por bem (e para o resguardar de situações potencialmente embaraçosas) não revelar.
Dora, Jaqueline, Manuel, Ricardo, Luísa, Cátia, Girino: sete com tudo a que tiveram direito mas com muitas saudades dos restantes oito que ficaram a dever

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Jesus Monteiro

Não é novidade nenhuma saber que de situações desagradáveis podem resultar experiências que nos tocam de forma especial. Sem entrar em grandes pormenores, para não correr o risco de me tornar maçador, adianto apenas que o episódio em questão se deveu a uma avaria no carro.
Não, não foi o meu "Boguinhas" que me deixou pendurado. Aliás, nunca o fez e acredito piamente que tal não irá suceder pois tem os cuidados do melhor médico da especialidade que conheço e que o trata como se fosse da família (o sr. Indalécio).
Voltando à avaria, que aconteceu em plena Rua da Madalena, Lisboa, apesar dos indícios de má disposição da máquina terem disparado ainda antes da Praça do Comércio, a espera pelo reboque foi um pouquinho exasperante. Valeu estar acompanhado - por mais estranho que à distância me possa parecer - pelo melhor duo que podia ter naquele momento. Entre nós, pudemos desabafar sem filtros, comentar os transeuntes que desciam e subiam a rua e, imagine-se, até sorrir (a vontade de gargalhadas não era grande, até porque o último episódio de "Equador" já era!).
Já no reboque, a caminho da Cova da Piedade, tive a melhor terapia que podia ter naquele momento.
(telemóvel toca)
- Oi mor, como você tá? (...) A tensão está assim tão alta! Faz o seguinte: faz um chá de camomila e toma meio comprimido, é o melhor. Às 05h30 eu estou em casa e depois vemos como está a sua tensão. Beijo... (imaginem um sotaque brasileiro)
Posso dizer que depois deste telefonema fiquei a saber que o problema de tensão da senhora agravou-se com a chegada da menopausa. Ao contrário do que seria normal, não senti o tradicional "o que é que tenho a ver com isso". A conversa fluiu. Falámos de variadíssimos assuntos. Portugal, Brasil, Setúbal, Rio Grande do Sul (o sotaque revelava as origens), Castelo Branco, nordeste brasileiro. Falei-lhe de uma conterrânea, a Jaqueline, que conheci há pouco tempo. Pensei para com os meu botões que o Rio Grande do Sul deve ser a capital da "gente boa"...
Nunca 40 minutos com uma pessoa com quem estive pela primeira vez na vida me souberam tão bem. Desconforto? Nem um pouco. Empatia imediata, isso sim!
Antes de chegarmos ao destino perguntou-me se ia ficar na Cova da Piedade. Disse-lhe que tinha o meu carro a cerca de 10 quilómetros da oficina onde iríamos deixar o carro avariado. Lamentou da forma mais franca que se possa imaginar não poder levar-me, uma vez que as distâncias percorridas são monotorizadas ao mílímetro. Se fosse a dois ou três quilómetros, disse...
Tal como o meu barbeiro, o sr. Janeiro, atrás da sua tesoura, constatei que por detrás de um volante de um reboque está uma pessoa interessantíssima com quem não me importava nada de cruzar mais vezes na vida. Pena não poder, ao contrário da cadeira do sr. Janeiro, que sei bem onde fica, dispensar, de tempos a tempos, para uns dedos de prosa enriquecedora, a companhia do sr. do reboque que mora em Caneças.
Antes de nos despedirmos fiz questão de dizer-lhe que tinha sido um prazer conhecê-lo e que, se não se importasse, gostaria de saber o seu nome. Está no título.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pexitos = sesimbrenses


Ser pexito(a) é...

- Trocar o fim das palavras acabadas em ‘o' por 'e' ('sogre', 'filhe', 'mercade', 'lence de papel', 'lixe', 'campe', 'pexite', etc.);
- tratar toda a gente por 'balhão', 'soce' e 'pariga';
- Começar todas as frases com 'epá' e acabar com 'estatão';
- Não saber que existe o sufixo 'lhe', e quando é preciso usá-lo dizer coisas como 'diz a ele', 'dá a ela', 'fiz a eles';
- Estar sempre bêbado;
- Andar à porrada com pessoal de fora no Carnaval;
- Passear na marginal (do Caneiro à Doca e da Doca ao Caneiro);
- Dizer coisas como 'epá balhão, pa córas é qué o avise?' (tradução: “epá balhão, a que horas vamos para o mar”);
- Estudar na Escola Secundária de Sampaio;
- Gozar com as pessoas de Setúbal chamando-as 'caga-leites';
- Vestir roupa nova na Festa das Chagas;
- Ir à praça comprar ovas de choco e juntar-se com os amigos, fritar as ovas e beber cerveja à tarde no sábado.


Além dos pexitos e pexitas, há muito mais para ver em Sesimbra. As duas imagens que se seguem são elucidativas.


Praia Ribeiro do Cavalo
Dizem que o acesso é difícil, mas deve valer a pena! Vai um mergulho? (Foto: CMS)

Bacalhau ao léu
Antes de ir para o tacho convém arejar o dito cujo, pendurando-o com um par de molas colorido! A imagem foi captada há dias num rés-do-chão junto à sede da "Escola de Samba Bota no Rego", pertinho da Casa do Benfica de Sesimbra. (Foto: V.L.)

Acham piada ao nome da Escola de Samba? De facto, ninguém pode acusar os pexitos de falta de originalidade. Além da "Bota no Rego", há a "Trepa no Coqueiro", os "Saltaricos do Castelo" (este é um nome corriqueiro, admito) e os grupos "Tripa Cagueira", "Tripa Mijona" e "Bigodes de Rato"!
Não é por nada, mas eu torço pelos "Bigodes" para a coisa não cheirar mal...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Palavras para quê?

Mais do que textos, quem visita o blogue quer mesmo é ver os bonecos. Resolvi respeitar a malta que apenas quer ver se ficou bem ou mal na fotografia... Já sei o que a Sandra vai dizer: "só escolhem as fotos em que eles estão bem!" Tivessem mais cuidado no momento de posar...
O último encontro foi na passada sexta-feira e os locais eleitos já eram nossos conhecidos. Apesar de não ter sido possível reunir todos os "Magníficos", desta vez contámos com a presença da fugidia Raquel e do (quase em estágio) António. O Tiago, para variar, deu-nos música à última da hora e o João, apesar de ausente, fez questão de nos cumprimentar telefonicamente. Para quem não esteve, eis algumas fotos da noite.


Sim, aquela pessoa atrás do copo é mesmo a Sandra!

Ponham-se a pau com a Raquel! Esta foto não era para entrar. Ups, temos pena!

Eu bem avisei que os olhos estavam fechados!

Tudo ao molho e Fé em Deus

?!?! Peçam explicações ao Girinovsky!

No meio da estrada é mais bonito!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

What's Up, Doc?

Mais do que um comment, a ocasião merece um post. O nosso Manuel - the one and only - decidiu em boa hora deixar a sua marca no "Como Vai a Saudinha" (o título não podia ser mais apropriado para o senhor doutor!).
Se eu mandasse não serias apenas o futuro presidente da Ordem dos Médicos, mas o próximo vencedor do Prémio Nobel. Já estou a ver a notícia: «Depois de Egas Moniz e José Saramago, Manuel de Alcobia e Sousa torna-se o terceiro português a receber a distinção (quero o exclusivo)».
Para o ramalhete ficar completo só falta mesmo um dia o Bruno deixar a sua marca no blogue. Prometo que terá honras de post.
Para os mais distraídos, aqui fica o comentário do nosso Manuel feito por ocasião do post alusivo ao filme Terminator.

manuocean disse...
Olá pessoal. Pois é, o grande manuocean finalmente decide participar no espirito do blog, directamente da urgência de São José (já to a ver: aqueles médicos em vez de trabalhar põem-se no computador a ver sabe-se lá o quê...) Na verdade foram, por um lado o comentário da Sandra a excluir-me completamente por não participar do blog, e por outro o excelente sentido de oportunidade do Ricardo ao comentar o quarto filme de uma das minhas sequelas sagradas, "Terminator", que me fizeram dar este primeiro passo. A todos beijos e abraços grandes. Tb adorei as fotos no "Cores e Sabores". Luisinha, eu e tu partimos a loiça toda, mesmo menos bem cheirosos e cansados como o... Inté pessoal... e toca a combinar qq coisa Cátia - confio na tua energia!
4 de Julho de 2009 22:17

terça-feira, 7 de julho de 2009

Dá-lhe Forte!

A primeira edição do Arrábida World Music Festival proporcionou uma experiência única a todos os que estiveram no Forte de São Filipe nos passados dias 3 e 4 de Julho.
Dos "15 magníficos", quatro marcaram presença no evento que permitiu contactar com músicas provenientes dos quatro cantos do mundo. Como em qualquer espectáculo do género, há momentos que nos tocam de forma especial. A possibilidade de ouvir sonoridades diametralmente opostas, mas com mais em comum do que seria óbvio pensar, é uma experiência enriquecedora. Apesar de desconhecidos até então, há intérpretes que passamos a admirar, mas também há outros de que simplesmente não gostamos. É impossível sentirmo-nos indiferentes.
Uns preferiram os sons do Sahara dos malianos Tinariwen, enquanto outros se renderam à energia contagiante dos norte-americanos Heavy Trash.
O AWMF foi muito mais do que música. Foi uma vista deslumbrante para a cidade, a lua, Tróia e o Sado. Foi uma aventura pelas catacumbas do Forte. Foi o hidromel (era bem bom, Tiago) e o pão com chouriço.
Tal como dizia o slogan do Festival, este Verão, houve mais na Arrábida para além da praia.

Até deu para viajar pelas entranhas do Forte

Imaginem estes senhores aos pulos no palco!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Agenda Cultural

Depois de assistir há dias, no Grande Auditório do CCB, a Sonho de Uma Noite de Verão, partitura musical de Felix Mendelssohn baseada na obra de William Shakespeare, outros eventos estão já marcados na agenda.
Ao espectáculo da Orquestra de Câmara Portuguesa, sob a direcção do maestro Pedro Carneiro e com a participação especial da actriz Beatriz Batarda, segue-se o Arrábida World Music Festival. Hoje e amanhã rumamos ao Forte de São Filipe para umas noites que prometem durar até de madrugada. A música originária dos quatro cantos do mundo é apenas um dos muitos atractivos de uma festa que promete ser rija e com uma panorâmica única.
Last but not least, vem o teatro com O Deus da Matança, baseado na obra de Yasmina Reza, com encenação de João Lourenço, e que conta com as interpretações de Joana Seixas, Paulo Pires, Sérgio Praia e Sofia de Portugal.
A sinopse da peça conta-se em poucas linhas:
Dois rapazes andaram à pancada depois da escola e um deles partiu dois dentes ao outro. Os pais encontram-se para falar sobre o incidente, mas, quando o começam a discutir a fundo, a situação torna-se cada vez mais tensa. Pequenas insinuações passam a ofensas verbais e físicas. E é assim que uma tarde entre pessoas civilizadas acaba de maneira inesperadamente pouco civilizada. A autora francesa Yasmina Reza analisa aqui o universo da família e as discrepâncias entre o ser e o parecer, com a mistura de leveza e seriedade, humor e crítica social que lhe é característica.
Fonte: Site oficial do Teatro Aberto

Promete...

Já fui ao Grande Auditório do CCB

Arrábida World Music Festival: Eu vou!

Também vou ao Teatro Aberto

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Século Ilustrado


Há um par de dias que me estou a deliciar com duas edições da histórica revista O Século Ilustrado, que comprei no fim-de-semana na feira do livro de uma superfície comercial.
As edições são referentes a Março de 1972 e a cada virar de página sou surpreendido. Bem sei que já lá vão mais de 32 anos – ainda faltavam mais de cinco anos para eu nascer – e que os tempos agora são outros. É interessante verificar a maneira como os anúncios eram concebidos e a construção dos textos feita à moda antiga. Apesar da forma como alguns textos estão estruturados – diferente das regras elementares do jornalismo –, muitos dos artigos, alguns com origem na norte-americana Newsweek, são bastante curiosos.
É extraordinário deparar-me com uma reportagem sobre o terceiro (!) filme de Manoel de Oliveira (O Passado e o Presente), com um artigo sobre os novatos Rolling Stones, a antevisão dos Jogos Olímpicos de Munique (estavam todos longe de imaginar a tragédia que se seguiria), um estudo sobre "Violência no cinema e na TV" com um sugestivo título de "Escola de Assassinos", em que filmes como Laranja Mecânica, Dirty Harry e Doze Indomáveis Patifes são retratados como perigosos para os jovens da altura. Nem os filmes de James Bond escaparam à análise: «...as fanfarronices de 007 tornaram-se mais sórdidas no filme Diamonds are Forever», lê-se.
Confesso que o que mais gostei de ler foi um artigo sobre Liza Minnelli, à beira de completar 26 anos. A então jovem actriz, mais conhecida por ser filha de Judy Garland e Vincent Minnelli, acabara de estrear o filme Cabaret, que viria a revelar-se um êxito estrondoso, catapultando-a para a história da Sétima Arte.
No artigo não é pronunciada a palavra Oscar, mas seriam oito os que o filme de Bob Fosse viria a arrecadar. Foram só (!) mais cinco que o O Padrinho, a obra-prima de Francis Ford Coppola!

Das seis páginas que são dedicadas a Liza Minelli – "A extraordinária filha de Judy Garland", lê-se na capa –, houve uma frase que retive. «Um dos grandes encantos de Liza é que ela não se envergonha da sua necessidade de afecto e do prazer que sente nisso. Acho que isso é muito comovente num mundo em que cada um evita ser absurdo e procura manter a sua indiferença».
Quem o disse foi Alan J. Pakula, realizador responsável, entre outros, por Os Homens do Presidente e A Escolha de Sofia.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

(Frozen) Star Wars


A noite tinha tudo para ser perfeita, mas o raio do fresquinho veio arrefecer a nossa sessão de cinema ao ar livre. Apesar do nosso grupo quase ter contribuído para a lotação da plateia, o calor humano não foi suficiente para evitar o apertar de colarinho até ao último dos botões.
Os impulsionadores do reencontro querem agradecer a capacidade de resistência e o espírito de sacrifício evidenciados por cada um dos elementos que se aguentou estoicamente até ao final, quando, na realidade, gostariam de estar num sítio bem mais acolhedor.
Quem se livrou de boa foram os espertalhões que ficaram em casa de chinelinho e pijama. Ontem tinha dado bastante jeito a vossa presença, não só porque sentimos a vossa falta, mas porque trariam mais calor humano ao Auditório José Afonso.
Da minha parte, confesso que o reencontro valeu a pena. Primeiro porque tive a oportunidade de rever as aventuras de Luke Skywalker, Princesa Leia, Han Solo, Obi-Wan Kenobi, R2-D2, C-3PO e Chewbacca contra as hostes das trevas lideradas pelo malvado Darth Vader. Os efeitos especiais de Star Wars continuam impressionantes, mesmo tratando-se de um filme tão velhinho como eu!
Em segundo lugar, porque estivemos juntos. Mesmo em condições climatéricas adversas e com a fadiga estampada nos rostos de alguns foi bom estarmos ao lado (atrás e à frente) uns dos outros.
Desde já fazemos uma promessa (esta é para cumprir): a próxima sessão de cinema, seja ela qual for e onde for, será de dia. Dessa forma haverá menos possibilidades de bocejar e passar pelas brasas!

A noite ficará também, para sempre, marcada pela morte de Michael Jackson. Se alguém nos perguntar "onde estávamos quando o rei da música pop morreu", a resposta está intimamente ligada a Star Wars e a mais uma noite em que estivemos juntos. Apesar de associarmos os últimos anos de Jackson às excentricidades e polémicas por ele protagonizadas, é indesmentível que marcou, de forma indelével, a nossa história. Quem não cantarolou algumas das suas músicas, não tentou a missão impossível de imitar alguns dos seus passos de dança ou comprou alguns dos seus álbuns, que atire a primeira pedra.
Rest in peace

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lado a lado

O meu irmão Pedro parte hoje para a Suíça. Ao contrário do que aconteceu ontem, hoje não conseguiu disfarçar a tristeza com o aproximar da hora da partida. Tenho a certeza que tudo correrá bem. De forma egoísta, não escondo que preferia tê-lo fisicamente perto de mim, apesar de reconhecer que fez, mais uma vez, a opção certa.
Por mais quilómetros que nos separem, estamos sempre assim: lado a lado.

No Barril de Alva

Num aniversário (ainda em casa da mãe)

No juramento de bandeira

Na Primeira Comunhão

Nos Toulões

Em crianças

Quando éramos bebés

segunda-feira, 22 de junho de 2009

I’ll be back


É preciso ter azar! De entre 14 salas de cinema, num dia de calor intenso em que só a ideia de entrar numa sala de cinema com ar condicionado era refrescante, tinha-nos logo de calhar aquela (a única!) em que o dito cujo estava avariado.
No momento da reclamação – «desculpe, é importante ligar o ar condicionado sob pena de destilarmos ali dentro» – o funcionário responde: «lamentamos, mas o ar condicionado da sala 9 encontra-se avariado. Os espectadores que pretendem ver o filme que está nessa sala estão a ser avisados na bilheteira».
– «Pois, mas a nós ninguém alertou desse pormenor!»
Arriscámos! O ambiente foi um pouco mais quente do que o esperado, mas, confesso, valeu a pena. De tal forma que só ao intervalo, e após o final do filme, nos lembrámos da falta de arrefecimento.
A razão deve-se a “Exterminador Implacável: A Salvação”, o quarto capítulo da saga iniciada em 1984 por James Cameron, que atingiu a estratosfera na obra-prima “O Dia do Julgamento”, em 1991.
Ao invés do antecessor, “A Ascensão das Máquinas” (2003), confesso que gostei bastante do filme que nos transporta para um cenário apocalíptico resultado da guerra que opôs máquinas a humanos.
Um herói improvável é-nos apresentado (e mais não digo para não ser desmancha-prazeres), relegando para segundo plano John Connor, filho da heroína Sarah dos dois primeiros filmes, que à partida, enquanto líder da resistência humana contra os exterminadores da Skynet, seria o herdeiro mais lógico.
A personagem em questão é Marcus Wright, desempenhado pelo australiano Sam Worthington, que desde ontem deixou de ser, para mim, um desconhecido e um actor a seguir com atenção no futuro.
Quem já conhecia, da excelente série “Huff”, que passou na Fox este ano, é Anton Yelchin, o jovem que, enviado pelo filho, recuará no tempo e acabará por procriar com Sarah (reconheço que explicado desta forma é confuso, mas quem está familiarizado com a história sabe do que estou a falar).
Um dos muitos aspectos em que "A Salvação" soma pontos advém das várias piscadelas de olhos que são feitas aos anteriores capítulos da saga, umas de forma subtil e outros à descarada. Nem uma espécie de clone do agora governador Arnold Schwarzenegger falta ao filme.
Enquanto escrevia o texto e revia algumas cenas do filme na minha cabeça nem reparei que está quente, muito quente. Vou aumentar o ar condicionado. Este funciona!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O bom Jesus


Parece que é desta! A novela Jorge Jesus, que alimentou páginas e páginas de jornais nos últimos tempos, chegou o fim. O grande J.J. está de malas aviadas para o Benfica. Independentemente do (in)sucesso que o treinador venha a ter no comando das 'águias', continuarei a defender que Jesus é, dentro das quatro linhas, o melhor técnico do futebol nacional.
Na Luz, a tarefa não se avizinha fácil, nada mesmo. A ausência de uma estrutura directiva sólida, por si só, é suficiente para impedir qualquer treinador de desempenhar a sua missão de forma eficaz.
Não tenho a mínima dúvida que se estivesse no FC Porto, Jesus teria, no mínimo, ganho tudo o que o homólogo dos 'dragões' conseguiu. É certo que o currículo como treinador, apesar dos muitos anos de experiência acumulados no cargo, não impressiona, mas as qualidades do treinador há muito lhe são reconhecidas. Em Setúbal, quando esteve ao serviço no Vitória, contactei directamente com Jesus. Na preparação técnica e táctica do plantel e na rapidez com que faz a leitura dos jogos, mexendo na equipa onde e quando o deve fazer, destaca-se de todos os outros.
Desde a sua experiência no Bonfim, no início do século, o treinador mudou e evoluiu. A forma "bruta" como comunicava com os atletas, dizem-me, já não é a mesma e as conferências de imprensa continuam a ser uma incógnita. Rotina é coisa que não existe. O tradicional "vamos jogar para ganhar" e "no futebol há três resultados possíveis" raramente fazem parte do discurso.
Ao longo dos anos, o treinador presenteou-nos com muitas pérolas. No Benfica, onde qualquer corte de cabelo ou unha encravada é notícia, nenhuma declaração de Jesus passará despercebida. É aconselhável, sem obliterar a personalidade que o caracteriza, que J.J. se resguarde para não cair no ridículo. Dizer o essencial, com uns pontapés na gramática à mistura, mas sem se alongar para não dar tiros nos pés. A ver vamos.

Deixo aqui algumas frases lapidares do treinador publicadas no maisfutebol.

- «O processo de neutralização do jogador pertence ao forno interno do clube»;
- «Quero aproveitar para dedicar esta vitória a todos os motocards da Amadora que vieram até aqui»;
- «O fair-play é uma treta»;
- «A equipa de arbitragem não deixa. Como resolvo isto? Só resolvo na playstation»;
- «Com essa equipa dava-lhe 3 de avanço, mudava aos 5 e acabava aos 10». Em Agosto de 2007, após o Belenenses perder por 1-0, com o Real Madrid, no Troféu Teresa Herrera e dirigindo-se ao treinador dos espanhóis, Bernd Schuster ;
- «Também posso dizer que, com aqueles jogadores, aquilo (exibição) foi muito poucochinho». Na mesma conferência de imprensa, respondendo a Schuster, que acusara o Belenenses de ser defensivo;
- «Não sei o que é jogar para empatar. Já tentei entender, mas não consigo»;
- «O terceiro golo [penalty] surge de um lance que está na moda. Os treinadores têm de passar a contratar jogadores manetas».