sexta-feira, 23 de outubro de 2009

District 9


Vi ontem um filme que me deixou intrigado e não me sai da cabeça. Ao contrário do que se possa pensar, não é todos os dias que isso acontece.
"District 9" não tem um único actor conhecido, o realizador (Neill BlomKamp) é natural da África do Sul e a história, que envolve humanos e extra-terrestres, não se desenrola - para variar - em Nova Iorque, Los Angeles ou Chicago, mas em Joanesburgo.
O filme, que tem como produtor o senhor (dos anéis) Peter Jackson, não é aconselhado a estômagos sensíveis. A estória é, sobretudo, de intolerância, a forma como os alienígenas são colocados em guetos remete-nos de imediato para a noção de apartheid que aprendemos nos livros de História.
A última vez que tive semelhante sensação de desconforto foi ao assistir a "The Mist - O Nevoeiro". Sempre que somos confrontados com fenómenos inexplicáveis revelamos o que de pior (e melhor) há em nós. Isso aconteceria com qualquer pessoa e, por essa razão, indentificamo-nos com os protagonistas por mais absurdos que os seus actos nos possam parecer enquanto estamos confortavelmente sentados no sofá ou numa cadeira da sala de cinema.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

(Também) já uso óculos!

Ainda me recordo da repreensão que levei em criança da minha mãe quando comentei: "Gostava de usar óculos, deve ser muito fixe". Explicou-me que (quase todas) as pessoas que os usam fazem-no por necessidade e não porque "dá estilo" e que todos os que, como eu, não os tinham de usar eram uns privilegiados.
Na adolescência e já na idade adulta constatei, mais uma vez, que a minha mãe tinha toda a razão. Nunca tive de me preocupar com situações em que os óculos se tornam um embaraço: jogar futebol, nos dias de chuva, ao limpar as lentes e até ao abrir a máquina de lavar louça e ficar com as lentes embaciadas. Até hoje...
O exame periódico da medicina no trabalho alertou-me para o que, há uns tempos a esta parte, se tornava evidente: já não estava a ver como sempre vi.
O alarme soou de tal maneira que 48 horas depois de ser examinado decidi consultar especialistas. Não é nada de alarmante, sendo inclusivamente uma patologia natural para quem, como eu, passa tantas horas em frente ao computador.
Agora, sempre que conduzir (de noite), ler, vir televisão e for ao cinema tenho que estar munido dos meus inseparáveis amigos. Confesso que não me faz qualquer espécie. Há instantes uma colega de trabalho disse-me "que estava com um ar muito intelectual". Estranhamente não levei a mal o comentário, senti-o como um elogio.
Com o meu Tenente (já baptizei os óculos), vou poder continuar a passear com a minha co-piloto de eleição ao lado, sorver ziliões de palavras das páginas dos livros e descobrir verdadeiras pérolas entre os milhares de séries e filmes que planeio ver.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Charlot com Almodóvar

Hoje, dia 6 de Outubro, assinalam-se muitas datas no País: Amália morreu há 10 anos, a SIC nasceu há 17 e (save the best for last) o Manel - futuro presidente da Ordem dos Médicos - completa mais um aniversário.
Para assinalar estas e todas as efemérides que nos apeteçam, ou não, decidimos que hoje é o dia de irmos ao Charlot pegar um cineminha. Em cartaz está a obra mais recente de Pedro Almodóvar, "Abraços Desfeitos", e eu vou lá estar. Quem quiser juntar-se ao trio de Magníficos que improvisou o reencontro está mais do que convidado para o programa. Basta estar às 21h10 à entrada do cinema (a sessão é às 21h30).

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Notas soltas

Depois de "Amor dos Babuínos", resolvi pegar nos livros que me foram oferecidos no aniversário. Num ápice li "No teu deserto", de Miguel Sousa Tavares, e, se dúvidas existissem, o senhor tem mesmo o dom da escrita. Sendo filho da mãe, não admira! Pena é que Sousa Tavares não deixe a tarefa de comentador para se dedicar em exclusivo à escrita.
Estou agora com "O Caderno", de José Saramago. Sou daqueles que papa-os todos! Após a descoberta da obra-prima "Ensaio Sobre a Cegueira", tornei-me admirador do senhor. Era impossível que tal não acontecesse depois de tamanho murro no estômago me ter deixado knock-out e ávido por outras tareias igualmente brutais. O registo de "O Caderno" é o de um diário de bolgue, ou melhor, de bordo, que se lê com imenso prazer.
Nestes livros, como n' "O que Sócrates diria a Woody Allen" - não está esquecido - gosto de ler as mensagens escritas por quem me presenteou com estes mimos.
As eleições legislativas já foram, vêm aí as autárquicas. Como sou daqueles que valoriza o acto de votar, talvez pelas experiências relatadas pelos que me são próximos e viveram num período em que ir às urnas era utópico, anseio pelo próximo sufrágio.
Já não há pachorra para as "escutas", nem para os recados trocados entre Cavaco e Sócrates, para o comunicado deplorável do PR ao país (what the hell was that?!), nem para os submarinos... É evidente que tudo isto cheira mal, muito mal! É apenas mais um reflexo do País que somos.
Ontem, quatro Magníficos foram ao Charlot ver "Elegia", filme realizado por Isabel Coixet e interpretado por Ben Kingsley e Penelope Cruz. Um filme triste, que nos faz pensar e reflectir. Sabe bem ver filmes assim.
Por último, quero deixar-vos uma sugestão. Vale a pena clicar no link abaixo e ver o vídeo. Trata-se da festa de lançamento da 24.ª temporada da "Oprah" - nos EUA é Deus no céu e a Oprah Winfrey na terra - feita nas ruas de Chicago. Os convidados eram os Black Eyed Peas e tinham uma surpresa para a apresentadora norte-americana. Quem assistir até ao fim e disser que não teve vontade de dançar, está a mentir à descarada!

http://www.chatadegalocha.com/2009/09/black-eyed-peas-oprah-20-mil-loucos-d/
(Nota - Acho que o blogue "chata na galocha", além de ter um nome bem catita, tem um vídeo com qualidade superior ao do youtube)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Amor dos Babuínos

Várias vezes ouço o recado de que a qualidade dos posts inseridos no blogue tem deixado muito a desejar.
Pois bem, serve o presente para tentar elevar o nível - antes que fique irremediavelmente hipotecado - e corresponder às expectativas de um ou dois leitores mais exigentes do Saudinha.





Quero-vos falar de "Amor dos Babuínos", primeiro romance de Miguel Cardoso Pereira, que tive a oportunidade de ler nas férias. Convém esclarecer que só cheguei a este livro por ser colega de profissão do autor e não por termos qualquer grau de parentesco, apesar da coincidência do apelido.
Quem acompanha o trabalho do Miguel ou com ele priva, como é o meu caso, há muito lhe reconhece o talento. Era mais do que evidente que as linhas escritas diariamente no jornal eram insuficientes para albergar as suas capacidades.
Ao ler "Amor dos Babuínos" custa acreditar que o autor ainda não completou 30 anos. A destreza com que o Miguel desfia o novelo do enredo é admirável. A estória fala-nos de amor e morte. De inseguranças e conflitos. De um homem e uma mulher. As vidas entrelaçam-se... e mais não digo!
A maturidade patente na escrita e as emoções suscitadas nas páginas do romance agarram-nos pelos colarinhos e, por vezes, pelas entranhas. «Podia ser eu», pensei em mais do que uma ocasião. Vão por mim: existem razões mais do que suficientes para partir à descoberta de um autor que tem tudo, garanto-vos, para dar muito que falar.
Nota - O livro foi publicado pela editora 'Temas Originais' e tem um custo de 10 euros. Vale cada cêntimo.
Nota 2 - Não consigo decidir que livro ler a seguir. Há três possibilidades: "O Caderno", "No teu deserto" e "O que Sócrates diria a Woody Allen".
Nota 3 - Na terceira hipótese de leitura, o Sócrates em causa é o filósofo grego e não o engenheiro (?) português.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ir para fora cá dentro

Face à impossibilidade de enviar um postal para cada um dos (assíduos) leitores do blogue, decidimos partilhar algumas imagens das nossas férias. Mais uma vez, rumámos a Norte e recolhemos imagens e experiências que prometem perdurar na nossa memória.
Como nos disse a funcionária da bilheteira do Palácio do Buçaco, essa personagem inesquecível: "bom dia e boa continuação".


Barril de Alva



As margens do Rio Alva ajudaram a refrescar os dias

Não é uma casa na pradaria, mas sim na floresta

Piscina fluvial em estado puro


Vila Cova de Alva


Varanda de tábuas a desafiar a lei da gravidade

A aldeia pousou ao meu lado para a fotografia

Só faltam as fadas e os elfos...

Sandomil


Chovia a cântaros, mas a beleza desta aldeia próxima de Seia não saiu beliscada



Buçaco


O Palácio do Buçaco, tal como a Quinta da Regaleira, foi arquitectado por Luigi Manini

A Mata Nacional da Serra do Buçaco surpreende a cada curva

Peter Jackson podia ter filmado aqui algumas cenas de LOTR. Concordas Manel?


Raquel, diz lá que não faz lembrar a Quinta da Regaleira?




Mealhada



Não comemos leitão, mas garanto-vos que não ficámos mal servidos!




Aveiro



Não resistimos a um passeio de moliçeiro pelos canais da Ria de Aveiro

"Cala-te cão, deixa falar o João". Não trocava o nosso inesquecível cicerone por uma caixa de Ovos Moles (atenção: eu adoooro ovos moles)

Se forem a Aveiro, metam-se num moliçeiro. Vão ver que vale a pena!


Até descobrimos o laço dos Magníficos: o da Ponte da Amizade

sábado, 5 de setembro de 2009

Vindimar ao som dos Deolinda

3 de Setembro (quinta-feira), Festa das Vindimas, Palmela.
Meus amigos, foi um regabofe dos grandes! Meia dúzia de Magníficos lançaram os foguetes e apanharam as canas todinhas. Quatro sadinos rumaram a Palmela para se encontrarem com duas 'palmeloas' e o reencontro, garanto-vos, valeu bem a pena. Até vimos o palmelão mais famoso do país, o "vocês sabem de quem é que eu estou a falar" Octávio Machado.
Que me perdoem todos os presentes, incluindo os Deolinda - que deram um espectáculo para mais tarde recordar -, mas a grande atracção da noite foi a nossa querida Rute. Pois é, apesar de ausente dos nossos reencontros e do cansaço bem visível, trouxe uma energia fantástica à grande noite: saltou, gritou e aplaudiu entusiasticamente. Perante tamanho incentivo, fizemos os possíveis por redobrar a nossa tarefa de contribuir para o espectáculo durante o concerto. Só visto...
Antes do concerto, não puderam faltar os comes e bebes. Eu e o Tiago não tivemos rivais na hora do repasto. O Tiago bateu-se com uma entremeada um pouco mais grossa do que seria desejável, enquanto eu mandei vir uma bela sandocha de courato. Bem que pedi os pelinhos do porco, mas a barba do courato até que estava bem feitinha! Deliciosa...
A Raquel - continuamos à espera da visita à Quinta da Regaleira (promessas!) - conseguiu despistar as manas para se juntar a nós com a sua eloquência de sempre.
A Jaqueline, que olhou para mim no momento da degustação do courato com uma expressão de incredulidade indescritível ("como é possível alguém gostar disso aí!", terá pensado), trouxe à reunião a doçura habitual.
Quem também se juntou a nós, via telemóvel, foi o Girino, que durante muito tempo foi um dos entusiastas da ida a Palmela para assistir ao concerto dos Deolinda. Razões profissionais não permitiram a sua presença física.
Já agora, aproveitamos para desejar bom trabalho a todos os que contribuem por estes dias para a produtividade do país, enquanto nós nos refastelamos "by the river".
Nota - Se este post não tiver comentários, terei de tomar medidas drásticas.


Vou-te comer... couratinho.


A entremeada foi regada com um branquinho


Três potenciais modelos para o sorriso Pepsodent

Versão feminina do Quarteto Fantástico


A senhora do telemóvel importa-se de desviar...



Agora sim, sem intrusos!

Para quem não esteve presente, deixamos um excerto dos Deolinda. Quem assistir até ao fim ganha um brinde...


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Convidados indesejados

Babas e comichão. Foi este o resultado do mais recente jantar dos Magníficos, que teve lugar no passado domingo num restaurante nas Fontaínhas. Éramos cinco, mas companhia foi coisa que não faltou. A esplanada revelou-se um autêntico pitéu para os mosquitos que nos atacaram impiedosamente.
É claro que uns sofreram mais do que outros, que o digam a Cátia e a Luísa que passados alguns dias ainda padecem dos efeitos nefastos da experiência. O Tiago garante - parece impossível - que vestígios das picadelas foi coisa que não existiu. Já o Manuel, numa noite em que recorreu diversas vezes à sua pose de Deus grego, ficou com uma marca bem visível na testa.
Ao contrário do que possam pensar, garanto-vos que os convidados indesejados não beliscaram em nada o convívio. As amêijoas e o choco frito, o tour exclusivo ao interior de uma viatura 'XPTO' que se farta de salvar vidas, a "viagem" que a Luísa me proporcionou à Patagónia, Terra do Fogo e às pampas, as aulas das poses das divindades helénicas ministradas pelo Manuel e a voltinha que demos antes de nos sentarmos na esplanada em que os mosquitos se banquetearam foram alguns dos momentos do dia.
Para a próxima seria conveniente que comparecessem mais Magníficos. É que dessa forma as picadelas seriam distribuídas por mais pessoas, impedindo a concentração de babas nos corpinhos de apenas cinco!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dexter


É possível simpatizar com uma personagem de uma série de televisão que na primeira temporada mata o irmão, na segunda a amante e na terceira o melhor amigo? Se a sua resposta é não, é porque não conhece Dexter Morgan.
Michael C. Hall, que já tinha comprovado o seu talento no magnífico "Sete Palmos de Terra", interpreta um meticuloso investigador forense que nas horas vagas, e às vezes nas de expediente, elimina os criminosos que a Justiça não puniu.
A terceira temporada da série, de 12 episódios cada, chegou ontem ao fim na FOX. Resta-me aguardar pela estreia da 4.ª temporada de "Dexter" para voltar a ser cúmplice do serial-killer mais fascinante que o pequeno écrã já me deu a conhecer.
A razão de Dexter ser, para mim, um objecto de culto deve-se a dois motivos: elenco irrepreensível (todos os secundários são únicos e inesquecíveis, incluíndo muitos dos que são eliminados) e o trabalho inteligente dos argumentistas.
Se alguém me perguntar onde estive nas últimas semanas, de segunda a sexta-feira, entre as 23:52 e 00:40, tenho um alibi de respeito: Dexter.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O bazar da Isabel

Desde que tenho memória que me lembro de ver a minha mãe fazer mil e uma coisas com agulhas e novelos de lã e outros têxteis. Eu, os meus irmãos e alguns (poucos) familiares e amigos mais próximos tiveram o privilégio de ser presenteados com umas botinhas de lã, de quando em vez, ou, caso a criatividade estivesse para aí virada, umas camisolas bem fofinhas.
A chegada das netas - Beatriz e Matilde - levou a minha mãe, paulatinamente, a recuperar um dom que parecia estar esquecido. Depois das botinhas e camisolinhas, a minha mãe tem-se dedicado às malas. É sempre bom quebrar a rotina!
Eis algumas variantes de malas que a minha mãe tem artesanalmente fabricado. Quem já teve a sorte de ser presenteada assegura ter gostado do modelo. É possível escolher os tamanhos, as cores, os adereços (flores e bonecos, por exemplo) e até as asas.
Se ficarem interessados, aceitam-se encomendas. Espero que gostem.







terça-feira, 28 de julho de 2009

Sete com tudo a que têm direito…

"Lunch atop a Skyscraper" (New York Construction Workers Lunching on a Crossbeam) é uma famosa fotografia captada por Charles C. Ebbets durante a construção do edifício Rockefeller Center em 1932.
Nota - Quem esteve no jantar no Sancho Pança reconhece a imagem.

Quem não esteve presente no passado jantar de domingo, pode estar a perguntar-se o que quer dizer “sete com tudo a que têm direito”. É que esta foi uma das frases mais repetidas ao longo do repasto.
Pão de alho com tudo a que tínhamos direito, os crepes XL com todas as molhangas a que tínhamos direito, por mais que tivéssemos que esperar por eles (e não pensem que foi pouco tempo - o que vale é que valeu a pena a espera, não foi Girino?), mas, sobretudo, gargalhadas temperadas de amizade (e canela, não é Luísa?) como todos temos direito…
Os que não estiveram leram bem: sim, fomos só sete Magníficos. Por uma ou outra razão, muitos não puderam estar presentes, mas não se preocupem porque TODOS os ausentes foram, sem excepção, caluniados e difamados.
A Sandra, por exemplo, já sabe que tem a cabeça a prémio na sessão de paintball proposta pelo nosso Manuocean (para quando não sabemos, até porque as sugestões manuelinas têm sempre prazos MUITOOO dilatados – é o que te vale pexita!)
Relembrou-se também a ida à Quinta da Regaleira (ideia da Raquel) e uma ida ao Kartódromo de Palmela para diversão a alta velocidade (mais uma proposta manuelina).
Por falar em actividades radicais, sabem que a Luísa saltou de pára-quedas? Pois é, a nossa alentejanita mostrou de que fibra é feita e conquistou os ares de Évora! Prometeu foto para o Saudinha.
Com tanta conversa e agitação, as fotos foram sendo adiadas e com a saída repentina para um serviço da nossa equipa médica, acabámos por não ficar com registos fotográficos, a não ser repetidas fotos do Girino com os olhos fechados, que o Saudinha achou por bem (e para o resguardar de situações potencialmente embaraçosas) não revelar.
Dora, Jaqueline, Manuel, Ricardo, Luísa, Cátia, Girino: sete com tudo a que tiveram direito mas com muitas saudades dos restantes oito que ficaram a dever

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Jesus Monteiro

Não é novidade nenhuma saber que de situações desagradáveis podem resultar experiências que nos tocam de forma especial. Sem entrar em grandes pormenores, para não correr o risco de me tornar maçador, adianto apenas que o episódio em questão se deveu a uma avaria no carro.
Não, não foi o meu "Boguinhas" que me deixou pendurado. Aliás, nunca o fez e acredito piamente que tal não irá suceder pois tem os cuidados do melhor médico da especialidade que conheço e que o trata como se fosse da família (o sr. Indalécio).
Voltando à avaria, que aconteceu em plena Rua da Madalena, Lisboa, apesar dos indícios de má disposição da máquina terem disparado ainda antes da Praça do Comércio, a espera pelo reboque foi um pouquinho exasperante. Valeu estar acompanhado - por mais estranho que à distância me possa parecer - pelo melhor duo que podia ter naquele momento. Entre nós, pudemos desabafar sem filtros, comentar os transeuntes que desciam e subiam a rua e, imagine-se, até sorrir (a vontade de gargalhadas não era grande, até porque o último episódio de "Equador" já era!).
Já no reboque, a caminho da Cova da Piedade, tive a melhor terapia que podia ter naquele momento.
(telemóvel toca)
- Oi mor, como você tá? (...) A tensão está assim tão alta! Faz o seguinte: faz um chá de camomila e toma meio comprimido, é o melhor. Às 05h30 eu estou em casa e depois vemos como está a sua tensão. Beijo... (imaginem um sotaque brasileiro)
Posso dizer que depois deste telefonema fiquei a saber que o problema de tensão da senhora agravou-se com a chegada da menopausa. Ao contrário do que seria normal, não senti o tradicional "o que é que tenho a ver com isso". A conversa fluiu. Falámos de variadíssimos assuntos. Portugal, Brasil, Setúbal, Rio Grande do Sul (o sotaque revelava as origens), Castelo Branco, nordeste brasileiro. Falei-lhe de uma conterrânea, a Jaqueline, que conheci há pouco tempo. Pensei para com os meu botões que o Rio Grande do Sul deve ser a capital da "gente boa"...
Nunca 40 minutos com uma pessoa com quem estive pela primeira vez na vida me souberam tão bem. Desconforto? Nem um pouco. Empatia imediata, isso sim!
Antes de chegarmos ao destino perguntou-me se ia ficar na Cova da Piedade. Disse-lhe que tinha o meu carro a cerca de 10 quilómetros da oficina onde iríamos deixar o carro avariado. Lamentou da forma mais franca que se possa imaginar não poder levar-me, uma vez que as distâncias percorridas são monotorizadas ao mílímetro. Se fosse a dois ou três quilómetros, disse...
Tal como o meu barbeiro, o sr. Janeiro, atrás da sua tesoura, constatei que por detrás de um volante de um reboque está uma pessoa interessantíssima com quem não me importava nada de cruzar mais vezes na vida. Pena não poder, ao contrário da cadeira do sr. Janeiro, que sei bem onde fica, dispensar, de tempos a tempos, para uns dedos de prosa enriquecedora, a companhia do sr. do reboque que mora em Caneças.
Antes de nos despedirmos fiz questão de dizer-lhe que tinha sido um prazer conhecê-lo e que, se não se importasse, gostaria de saber o seu nome. Está no título.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pexitos = sesimbrenses


Ser pexito(a) é...

- Trocar o fim das palavras acabadas em ‘o' por 'e' ('sogre', 'filhe', 'mercade', 'lence de papel', 'lixe', 'campe', 'pexite', etc.);
- tratar toda a gente por 'balhão', 'soce' e 'pariga';
- Começar todas as frases com 'epá' e acabar com 'estatão';
- Não saber que existe o sufixo 'lhe', e quando é preciso usá-lo dizer coisas como 'diz a ele', 'dá a ela', 'fiz a eles';
- Estar sempre bêbado;
- Andar à porrada com pessoal de fora no Carnaval;
- Passear na marginal (do Caneiro à Doca e da Doca ao Caneiro);
- Dizer coisas como 'epá balhão, pa córas é qué o avise?' (tradução: “epá balhão, a que horas vamos para o mar”);
- Estudar na Escola Secundária de Sampaio;
- Gozar com as pessoas de Setúbal chamando-as 'caga-leites';
- Vestir roupa nova na Festa das Chagas;
- Ir à praça comprar ovas de choco e juntar-se com os amigos, fritar as ovas e beber cerveja à tarde no sábado.


Além dos pexitos e pexitas, há muito mais para ver em Sesimbra. As duas imagens que se seguem são elucidativas.


Praia Ribeiro do Cavalo
Dizem que o acesso é difícil, mas deve valer a pena! Vai um mergulho? (Foto: CMS)

Bacalhau ao léu
Antes de ir para o tacho convém arejar o dito cujo, pendurando-o com um par de molas colorido! A imagem foi captada há dias num rés-do-chão junto à sede da "Escola de Samba Bota no Rego", pertinho da Casa do Benfica de Sesimbra. (Foto: V.L.)

Acham piada ao nome da Escola de Samba? De facto, ninguém pode acusar os pexitos de falta de originalidade. Além da "Bota no Rego", há a "Trepa no Coqueiro", os "Saltaricos do Castelo" (este é um nome corriqueiro, admito) e os grupos "Tripa Cagueira", "Tripa Mijona" e "Bigodes de Rato"!
Não é por nada, mas eu torço pelos "Bigodes" para a coisa não cheirar mal...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Palavras para quê?

Mais do que textos, quem visita o blogue quer mesmo é ver os bonecos. Resolvi respeitar a malta que apenas quer ver se ficou bem ou mal na fotografia... Já sei o que a Sandra vai dizer: "só escolhem as fotos em que eles estão bem!" Tivessem mais cuidado no momento de posar...
O último encontro foi na passada sexta-feira e os locais eleitos já eram nossos conhecidos. Apesar de não ter sido possível reunir todos os "Magníficos", desta vez contámos com a presença da fugidia Raquel e do (quase em estágio) António. O Tiago, para variar, deu-nos música à última da hora e o João, apesar de ausente, fez questão de nos cumprimentar telefonicamente. Para quem não esteve, eis algumas fotos da noite.


Sim, aquela pessoa atrás do copo é mesmo a Sandra!

Ponham-se a pau com a Raquel! Esta foto não era para entrar. Ups, temos pena!

Eu bem avisei que os olhos estavam fechados!

Tudo ao molho e Fé em Deus

?!?! Peçam explicações ao Girinovsky!

No meio da estrada é mais bonito!