quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

José Lechner


José Lechner em acção (a foto foi retirada do facebook de um colega de profissão)

Há professores que nos marcam de forma indelével. Por boas ou más razões, é impossível não nos lembrarmos da professora primária. A minha chamava-se Maria de Fátima Carrilho e ainda hoje guardo na memória vários episódios vividos na sala de aula com a "senhora professora".
Nas escolas preparatória e secundária recordo-me dos professores de História (Sá Pinto, Fátima Henriques e Pedro Souto Mayor), de Português (Maria João Reis), de Inglês (Maria do Carmo Figueira) e da jeitosa professora de Matemática do 7.º ano (curiosamente não me lembro do nome da então jovem docente que fazia as delícias das hormonas de meia turma).
Todos os mencionados foram excelentes. Todos tinham paixão pelo que faziam. Aprendi imenso com todos eles e cresci com os seus ensinamentos. Ajudaram-me a descobrir o mundo. As suas aulas iam muito além das disciplinas que leccionavam. Estudar numa escola (Ana de Castro Osório) no Bairro da Bela Vista nunca foi para mim um problema, pelo contrário, adorava e devo-o, em grande parte, aos professores.
Mais tarde, na Escola Superior de Educação, cruzei-me com outros docentes marcantes como Ana Maria Pessoa e Leonídio Paulo Ferreira.

Havia também o professor de jornalismo (de imprensa) José Lechner. Não foi o melhor professor com quem me cruzei no ensino superior. Tive-o apenas durante um semestre no primeiro ano do curso de Comunicação Social, mas são várias as recordações que guardo dele.
Por mais cliché que soe, era um apaixonado pelo jornalismo e isso transparecia a cada explicação que dava e a cada exercício que propunha.
Recordo-me das pastilhas, rebuçados ou chocolates que levava para a aula para dar aos alunos como reforço positivo.
Foi o primeiro professor que tive que facultou o seu número de telefone. Estava "sempre disponível, excepto na hora da novela", avisava.
Lembro-me muitíssimo bem de um exercício em que tínhamos de nos imaginar como jornalistas (viajantes no tempo) que recuam 2000 anos e assistem ao julgamento e execução da sentença de Jesus Cristo.
Apesar de não o ver há mais de uma década, ainda consigo ouvir o seu sotaque sui generis.
Tenho também presente o seu sentido de humor. Era húngaro e chamava-se Joseph. Brincava e dizia que ao chegar a Portugal se tornara José, mas que de certeza não ficaria por aí. "Quando for para os Estados Unidos serei Joe e quando for para o Brasil serei Jô", ironizava.
Soube hoje no facebook que José Lechner morreu. Tenho a certeza de que, tal como eu, muitos mais alunos que se cruzaram com o professor lembrar-se-ão dele durante muitos anos. RIP.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Na mouche


Os oscarizados Christopher Plummer, Octavia Spencer, Meryl Streep e Jean Dujardin.

Os vencedores da edição 2012 dos Óscares eram previsíveis. Ainda assim venho recordar que os meus palpites, avançados no post de dia 24, estavam correctos. Além das quatro categorias de representação, acertei na de realização e de melhor filme.

Era só isto


Irina arrasou na festinha da Vanity Fair.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

(Des)espero


Há dias em que pagar as compras é um teste à paciência. Este fim-de-semana foi um desses casos.
Depois de uma rápida avaliação ao número de pessoas e quantidade de compras que as mesmas têm nos carrinhos e cestinhos, optei por uma caixa que tinha "apenas" duas pessoas à frente.
Nessa altura, já tinha os bilhetes para o cinema e estava tranquilo. "Vai dar para fazer tudo nas calmas", pensei eu.
Disponho os artigos que tinha comigo no tapete e espero, espero, (des)espero. Há o ditado que diz "quem espera sempre alcança", mas também há outro que diz "quem espera desespera"! Está-se mesmo a ver o que estava para acontecer.
O código de barras não está a dar (espero), a funcionária faz um telefonema (espero), chega a menina dos patins (espero), leva o artigo (espero), traz o artigo (espero), resolve o problema (estava a ver que não!).
Já faltou mais. Só já tenho uma pessoa à minha frente e vai pagar só um fato de Carnaval de criança (penso para com os meu botões: o Entrudo já foi para que raio quer o homem uma fantasia fora de época). O objecto de plástico de segurança não sai (espero), a funcionária pega num separador das compras e martela literalmente o dito cujo (espero), martela de novo (espero), lá consegue (ufa), a etiqueta de promoção de 5 euros foi colada sobre o código de barras (espero e desespero), pega no telefone (espero), menina dos patins leva o artigo (espero), traz o artigo (espero), resolve o problema.
Resultado: como detesto entrar na sala de cinema depois do filme começar (acho que só aconteceu uma vez na minha vida), já não tive tempo de ir colocar as compras ao carro. Levo-as comigo para a sala. Afinal, não fiz nada nas calmas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

10 mil

Há quem celebre o seu primeiro milhão. No meu caso não são precisos tantos zeros. 10 000 é um número jeitoso. Fico feliz por isso. Bem-hajam a todos os que por aqui passam.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Antes da noitada

JÁ ESTÁ...


"A Invenção de Hugo" segundo Martin Scorsese. Afinal, não é apenas "O Artista" que faz (em 3D) uma sentida homenagem à história do cinema.

ESTÁ QUASE...


Charlize Theron é a "Jovem Adulta". O filme é realizado por Jason Reitman, homem que antes foi responsável por "Juno" e "Nas Nuvens". A coisa promete.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

And the Oscar goes to...


Cartaz oficial da 84.ª edição dos Oscars

Desde 1996 que acompanho, em directo, todas as cerimónias da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Na madrugada de segunda-feira lá estarei, mais uma vez, munido de pipocas, à espera dos Oscars.
Todos os anos sucede o mesmo: indigno-me com a ausência de alguns filmes (assim de repente lembro-me de "Drive") na lista de nomeados e questiono-me sobre as razões de outros filmes estarem na lista ("Meia-Noite em Paris", por exemplo).
Sei que as estatuetas valem o que valem (onde é que já li isto?), que não estarei de acordo com alguns dos vencedores, mas, ainda assim, faço questão de assistir ao espectáculo que este ano volta a ter Billy Crystal como mestre de cerimónias.
Mesmo não tendo visto todos os filmes, eis algumas considerações nas principais categorias:
FILME: Gostava que ganhasse "Os Descendentes", mas acho que ganha "O Artista".
REALIZADOR: Tenho um palpite que o francês Michel Hazanavicius bate Martin Scorsese e Alexander Payne sem grandes dificuldades. PS- Não vi "A Árvore da Vida", mas era giro se fosse Terrence Malick (que nem por sombras marcará presença no Kodak Theatre) a ganhar.
ACTOR PRINCIPAL: Pitt e Clooney vão bem, mas ficará bem entregue a Jean "O Artista" Dujardin.
ACTRIZ PRINCIPAL: Tenho pena que a enorme Meryl Streep ganhe o Oscar por um filme tão mediano como "A Dama de Ferro". Viola Davis ("As Serviçais") e Rooney Mara ("Millenium") têm interpretações igualmente excelentes. Se falamos de reconhecimento, também já era hora de premiar a carreira de Glenn Close (nomeada por "Albert Nobbs").
ACTOR SECUNDÁRIO: Christopher Plummer, por "Assim é o Amor", é a minha aposta. O também veterano Max von Sydow (ambos nascidos em 1929) pode ser surpresa? É difícil.
ACTRIZ SECUNDÁRIA: Vi quatro das nomeadas. Penso que a vencedora será Octavia Spencer ("As Serviçais").

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Artista


Uma cena de "O Artista"

Finalmente consegui ver "O Artista". Gostei e, por isso, recomendo-o a quem ainda não o viu. O filme, cuja acção se passa em finais da década de 20 e inícios de 30 do século passado, é uma homenagem sentida a esse período da Sétima Arte, altura em que se fazia a transição do cinema mudo para o sonoro.
Os franceses Jean Dujardin e Bérénice Bejo, nomeados para o Oscar de actor principal e actriz secundária respectivamente, são extraordinários na pele de George Valentin e Peppy Miller. Tenho o palpite de que o protagonista - que vi há poucos meses na pele de Ludo no excelente "Pequenas Mentiras Entre Amigos" - irá levar para casa a estatueta.
O cliché de uma imagem valer mais do que mil palavras é aqui comprovado. Durante o filme, há imagens marcantes que revelam grande sensibilidade do realizador e argumentista Michel Hazanavicius, que tira o máximo proveito da expressividade assombrosa de Dujardin, que tem num petit chien um parceiro irrepreensível de representação.
Bem vistas as coisas, não querendo desvalorizar os méritos da produção, "O Artista" conta uma história comum (declínio de uma estrela do cinema mudo e a ascensão de outra com o advento do sonoro). Creio que se a produção fosse, de facto, de 1927 seria apenas mais um filme e não teria nada de extraordinário que o demarcasse dos demais.
Mais do que o durante e o depois, imagino a perseverança que foi necessária para conseguir que o projecto visse a luz do dia em 2011. "Bom dia, sou francês, o meu nome Hazanavicius e gostaria de fazer um filme a preto e branco mudo. Estão interessados em financiá-lo?". WTF terão pensado em uníssono todos os que ouviram esta conversa (quem os pode censurar?).
Hoje, todos os que entraram na loucura vêem o risco compensado. Palma de Ouro, Globos de Ouro e BAFTA reconhecem o trabalho efectuado. Só já falta mesmo a Academia reconhecer o filme na madrugada da próxima segunda-feira.
Dos nove nomeados para melhor filme, vi cinco: "O Artista", "Os Descendentes", "Moneyball", "As Serviçais" e "Meia Noite em Paris". Entre os mencionados, preferi os três primeiros, mas são tão diferentes que é complicado comparar obras que nada têm em comum.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Por aqui lê-se


Depois de "1Q84", "Norwegian Wood". Haruki Murakami rules.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A dama camaleónica


Mudar de pele é com ela!

As expectativas não estavam altas, por isso, não fiquei decepcionado. "J. Edgar" e "A Dama de Ferro" são apenas mais dois filmes medianos, que não demorarão, pela parte que me toca, muito tempo a ser esquecidos.
No primeiro caso, apesar de reconhecer alguns méritos a "J. Edgar", considero que a obra realizada por Clint Eastwood (vénia ao senhor) é a menos conseguida dos últimos tempos.
No caso de "A Dama de Ferro", o filme vale a pena pela composição que Meryl Streep faz da personagem de Margaret Thatcher. Ainda assim, as memórias retratadas da envelhecida e enferma ex-primeira ministra britânica não me compadeceram. As explicações apresentadas em diversas ocasiões, de modo a percebermos o porquê dos seus pontos de vista, deixam muito a desejar.
Creio que ninguém duvida da excelência da norte-americana e este é mais um exemplo de que é, provavelmente, a melhor actriz da actualidade. A mulher é tão perfeita em tudo o que faz que carrega literalmente um filme fraco às costas.
Há uns tempos, na série "Uma Família muito Moderna", uma das personagens indignou-se de tal maneira com um comentário negativo que alguém fizera sobre Streep, que afirmou que até a fazer de Batman a senhora seria irrepreensível. Concordo a 100 por cento. Alguém duvida que, mascarada de morcego, Meryl faria melhor do que os batman de Michael Keaton, Val Kilmer ou George Clooney?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Futebolês

O futebol é pródigo em dizeres populares de elevado recorte técnico.
Esta manhã assisti a um jogo de juvenis entre o Vitória de Setúbal e o Benfica.
Eis alguns dos mimos com que o árbitro foi presenteado:

- "Filho d'uma manada de p*t*s";
- "Não te dá um AVC aí dentro nem nada, cabrão";
- Um adepto para outro adepto: "Não chames paneleiro ao árbitro que é feio. Agora é homossexual que se diz".

No futebol também se fala das condições climatéricas adversas e... política:
- "O Passos Coelho mandou vir mais uma teca de frio até terça-feira. É para matar mais uns velhos e não lhes pagar mais a reforma".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Hoover e Thatcher

Eis dois exemplos de figuras históricas pelas quais não tenho qualquer simpatia. Vamos lá ver se o cinema consegue suavizar a minha opinião sobre ambos.


J. Edgar Hoover


Margaret Thatcher

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

1Q84


A minha primeira vez com o japonês Haruki Murakami

A determinada palavra associamos muitas outras. É assim que funcionamos em relação a quase tudo. Ao pensar em Japão vêm-me à ideia samurais, geishas, kimonos, Tóquio, Hiroshima, Quioto, Mitsubishi, Toyota, Nissan, iene, Yakuza, Kurosawa, karate, judo, sumo, Monte Fuji, sushi, manga, Toshiba...
A estes conceitos junta-se agora um novo sempre que pensar no país do sol nascente: Haruki Murakami. Já há algum tempo ouvira falar do criador de "Norwegian Wood", mas não tinha ainda tido oportunidade de ler nada de sua autoria. No Natal, recebi de presente "1Q84". Nas últimas semanas todos os bocadinhos eram aproveitados para acompanhar cada passo de Aomame e Tengo, as duas personagens principais do romance.
Sempre que levo um livro para onde quer que vá é sinal de que estou MESMO a gostar de o ler. Não me esqueço do dito cujo em casa, não me queixo do seu peso, acompanha-me sempre. Leio em pé, sentado, deitado. Já perceberam a ideia, certo?
Se me perguntarem o que é que tem de tão fascinante a escrita de Murakami, não consigo responder de forma concreta. Não é inédita a sensação de ser agarrado logo nas primeiras páginas, de querer ler só mais um bocadinho e de torcermos incondicionalmente pelas personagens (sobretudo se uma delas for uma espécie de Dexter no feminino).
Ao desfolhar as páginas de "1Q84" viajei até Tóquio, aprendi inúmeras coisas relacionadas com a cultura nipónica, deparei-me com uma realidade que, em muitos aspectos, está presente, apesar de frequentemente dissimulada, nas sociedades actuais.
Não são só Aomame e Tengo que nos suscitam interesse na obra. A construção do enredo em torno de personagens ainda mais enigmáticas, como a de Fuka-Eri, enriquecem sobremaneira a narrativa.
O livro que terminei de ler é o primeiro de uma trilogia. O segundo será editado em Portugal em breve. Resta-me esperar. Tenho quase a certeza de que vai valer a pena. Entretanto, enquanto não é lançado, não sei se vou conseguir resistir a trazer um livro de Murakami na próxima visita que fizer à Fnac.