quinta-feira, 8 de março de 2012

A Arte da Guerra


No Centro Cultural de Belém está patente uma interessantíssima exposição sobre "A Arte da Guerra — Propaganda da II Guerra Mundial". A mesma foi prolongada até 26 de Março e pode ser visitada gratuitamente no Museu Colecção Berardo.
Por ser o período mais horrível da História mundial, o conflito que decorreu entre 1939 e 1945 é, também, por essa razão, um dos mais fascinantes.
O percurso da exposição exibe mais de 200 peças originais (cartazes, panfletos, filmes e crachás) de países que participaram na guerra, como os Estados Unidos, a Alemanha, a Inglaterra, a França, a Itália, o Japão e a União Soviética.
O cartaz impresso "foi a principal forma de propaganda, sobretudo pela facilidade de produção e de aplicação em qualquer local, permitindo que a mensagem estivesse sempre presente junto dos cidadãos, e apelando a que dessem, produzissem e se sacrificassem" em prol do esforço de guerra.
Os cartazes estavam cheios de imagens fortes e mensagens acessíveis à população, de forma a chegar a todo o tipo de pessoas, para as mobilizar a um apoio activo para o esforço de guerra.
O objectivo era "inspirar o patriotismo, apelar ao contributo a bem da causa nacional", e poderia ser manifestado de diversas formas: desde o alistamento nas forças armadas, ao racionamento de comida ou de outros bens essenciais, ao esforço na produção da indústria da guerra, ao cuidado com as conversas em locais públicos ou à compra de títulos de guerra.

Eis alguns exemplos:


KO


Tradução: «Não há lugar para os judeus entre nós. Fora com os judeus!»


Este não precisa de legenda


Um argumento de peso a favor do carpooling


Um dos meus preferidos


Uma ameaça constante


Crachás americanos


Retaguarda desportegida

Toys





quarta-feira, 7 de março de 2012

Orpheu Caffé


Vista geral do "Orpheu"


Foi aqui que estivemos sentados


Pormenor de um recanto

Eis um local dado a conhecer pela V. Fica no Príncipe Real e chama-se "Orpheu Caffé". Depois do brunch tomado antes, só podíamos mesmo pedir um café. O espaço tem uma decoração retro - ao estilo do "Três 15 Dias" (esta é para os setubalenses) - e é muito agradável.
O "Orpheu" também serve brunch (não tivemos tempo nem estômago para o dissecar) e é uma alternativa interessante e a ter em conta em futuras deambulações pela capital. Como podem ver nas fotos, o ambiente recriado é uma mais-valia no espaço que tem também uma esplanada nas traseiras do edifício.

Pão de Canela


Pormenor da Praça das Flores


É ali à frente que fica o "Pão de Canela"


É uma casa portuguesa com certeza!

O meu fim-de-semana não podia ter corrido melhor. No sábado à noite, o meu clube deu-me uma alegria enorme. Todos compreendem o meu estado de espírito já que as vitórias têm sido tão raras ultimamente que todas têm um sabor redobrado.
No domingo, desloquei-me à capital e por lá fiquei (e andei) até segunda-feira. Aproveitei para ir a locais que há muito planeava visitar e que há já algum tempo adiava. Como não há fome que não dê em fartura - a expressão é mesmo literal - lá fui eu tomar um brunch a um estabelecimento que fica situado na Praça das Flores (fica ali entre São Bento e o Príncipe Real): o "Pão de Canela".
Mesmo correndo o risco de parecer um parolo que só agora descobriu a pólvora, devo dizer que valeu a pena esperar 30 minutos para conseguir mesa. Não só porque esperámos numa praça muito aparazível, mas, sobretudo, pelas recompensas que as nossas papilas gustativas tiveram depois.
O sistema é de brunch buffet e o que mais surpreende no "Pão de Canela" é a variedade de iguarias que temos ao nosso dispor. Garanto que até os mais esquisitos e cuidadosos com a alimentação vão ter com o que entreter o dente. Sobre as mesas há um autêntico festim capaz de saciar o gosto de toda a gente.
É claro que nem tudo é perfeito, mas por 11,90 euros parece-me quase impossível fazê-lo. Os sumos são de pacote, mas não foi esse o aspecto menos positivo da experiência. O mais chato é o facto de ter ficado na esplanada (existem duas) que está mais afastada do sítio onde está a comida. É claro que a distância que percorria até à zona onde está a acção tinha a vantagem de permitir esticar as pernas e desmoer as iguarias ingeridas (isto sou eu a iludir-me).
Resumindo: se estiverem por Lisboa no fim-de-semana e tiverem tempo disponível dêm um saltinho ao brunch do "Pão de Canela". Tenho a certeza que, tal como aconteceu comigo, não se vão arrepender.

terça-feira, 6 de março de 2012

Norwegian Wood


Será que o filme faz jus ao livro? Tenho dúvidas, mas, ainda assim, a ver vamos.

Gostei tanto do livro que não resisti a comprar o DVD. Vamos lá ver o que o realizador vietnamita Anh Hung Tran fez com a obra do japonês Haruki Murakami. A belíssima e nostálgica história de Toru Watanabe tem um potencial tremendo. A forma como o personagem principal se envolve com Naoko, Midori, Reiko e os outros intervenientes cativou-me de tal modo que, ao aproximar-me do epílogo, abrandei o ritmo de leitura para que o inevitável fim não chegasse.
Escusado será dizer que adorei "Norwegian Wood". Depois do primeiro volume de "1Q84", obra que me permitiu descobrir Murakami (lá diz o ditado: mais vale tarde do que nunca), aguardo a chegada às livrarias do segundo volume da trilogia. A vantagem de só agora ter entrado no universo do autor é o facto de, depois desse, existirem muitos mais livros do japonês por onde escolher.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Cannes c'est jolie


O Festival de Cannes está de parabéns. Para cantar o happy birthday foi escolhido alguém com experiência no assunto: Marilyn Monroe. O poster alusivo à 65.ª edição do certame, que decorre em Maio na Croisette, é très jolie.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

José Lechner


José Lechner em acção (a foto foi retirada do facebook de um colega de profissão)

Há professores que nos marcam de forma indelével. Por boas ou más razões, é impossível não nos lembrarmos da professora primária. A minha chamava-se Maria de Fátima Carrilho e ainda hoje guardo na memória vários episódios vividos na sala de aula com a "senhora professora".
Nas escolas preparatória e secundária recordo-me dos professores de História (Sá Pinto, Fátima Henriques e Pedro Souto Mayor), de Português (Maria João Reis), de Inglês (Maria do Carmo Figueira) e da jeitosa professora de Matemática do 7.º ano (curiosamente não me lembro do nome da então jovem docente que fazia as delícias das hormonas de meia turma).
Todos os mencionados foram excelentes. Todos tinham paixão pelo que faziam. Aprendi imenso com todos eles e cresci com os seus ensinamentos. Ajudaram-me a descobrir o mundo. As suas aulas iam muito além das disciplinas que leccionavam. Estudar numa escola (Ana de Castro Osório) no Bairro da Bela Vista nunca foi para mim um problema, pelo contrário, adorava e devo-o, em grande parte, aos professores.
Mais tarde, na Escola Superior de Educação, cruzei-me com outros docentes marcantes como Ana Maria Pessoa e Leonídio Paulo Ferreira.

Havia também o professor de jornalismo (de imprensa) José Lechner. Não foi o melhor professor com quem me cruzei no ensino superior. Tive-o apenas durante um semestre no primeiro ano do curso de Comunicação Social, mas são várias as recordações que guardo dele.
Por mais cliché que soe, era um apaixonado pelo jornalismo e isso transparecia a cada explicação que dava e a cada exercício que propunha.
Recordo-me das pastilhas, rebuçados ou chocolates que levava para a aula para dar aos alunos como reforço positivo.
Foi o primeiro professor que tive que facultou o seu número de telefone. Estava "sempre disponível, excepto na hora da novela", avisava.
Lembro-me muitíssimo bem de um exercício em que tínhamos de nos imaginar como jornalistas (viajantes no tempo) que recuam 2000 anos e assistem ao julgamento e execução da sentença de Jesus Cristo.
Apesar de não o ver há mais de uma década, ainda consigo ouvir o seu sotaque sui generis.
Tenho também presente o seu sentido de humor. Era húngaro e chamava-se Joseph. Brincava e dizia que ao chegar a Portugal se tornara José, mas que de certeza não ficaria por aí. "Quando for para os Estados Unidos serei Joe e quando for para o Brasil serei Jô", ironizava.
Soube hoje no facebook que José Lechner morreu. Tenho a certeza de que, tal como eu, muitos mais alunos que se cruzaram com o professor lembrar-se-ão dele durante muitos anos. RIP.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Na mouche


Os oscarizados Christopher Plummer, Octavia Spencer, Meryl Streep e Jean Dujardin.

Os vencedores da edição 2012 dos Óscares eram previsíveis. Ainda assim venho recordar que os meus palpites, avançados no post de dia 24, estavam correctos. Além das quatro categorias de representação, acertei na de realização e de melhor filme.

Era só isto


Irina arrasou na festinha da Vanity Fair.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

(Des)espero


Há dias em que pagar as compras é um teste à paciência. Este fim-de-semana foi um desses casos.
Depois de uma rápida avaliação ao número de pessoas e quantidade de compras que as mesmas têm nos carrinhos e cestinhos, optei por uma caixa que tinha "apenas" duas pessoas à frente.
Nessa altura, já tinha os bilhetes para o cinema e estava tranquilo. "Vai dar para fazer tudo nas calmas", pensei eu.
Disponho os artigos que tinha comigo no tapete e espero, espero, (des)espero. Há o ditado que diz "quem espera sempre alcança", mas também há outro que diz "quem espera desespera"! Está-se mesmo a ver o que estava para acontecer.
O código de barras não está a dar (espero), a funcionária faz um telefonema (espero), chega a menina dos patins (espero), leva o artigo (espero), traz o artigo (espero), resolve o problema (estava a ver que não!).
Já faltou mais. Só já tenho uma pessoa à minha frente e vai pagar só um fato de Carnaval de criança (penso para com os meu botões: o Entrudo já foi para que raio quer o homem uma fantasia fora de época). O objecto de plástico de segurança não sai (espero), a funcionária pega num separador das compras e martela literalmente o dito cujo (espero), martela de novo (espero), lá consegue (ufa), a etiqueta de promoção de 5 euros foi colada sobre o código de barras (espero e desespero), pega no telefone (espero), menina dos patins leva o artigo (espero), traz o artigo (espero), resolve o problema.
Resultado: como detesto entrar na sala de cinema depois do filme começar (acho que só aconteceu uma vez na minha vida), já não tive tempo de ir colocar as compras ao carro. Levo-as comigo para a sala. Afinal, não fiz nada nas calmas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

10 mil

Há quem celebre o seu primeiro milhão. No meu caso não são precisos tantos zeros. 10 000 é um número jeitoso. Fico feliz por isso. Bem-hajam a todos os que por aqui passam.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Antes da noitada

JÁ ESTÁ...


"A Invenção de Hugo" segundo Martin Scorsese. Afinal, não é apenas "O Artista" que faz (em 3D) uma sentida homenagem à história do cinema.

ESTÁ QUASE...


Charlize Theron é a "Jovem Adulta". O filme é realizado por Jason Reitman, homem que antes foi responsável por "Juno" e "Nas Nuvens". A coisa promete.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

And the Oscar goes to...


Cartaz oficial da 84.ª edição dos Oscars

Desde 1996 que acompanho, em directo, todas as cerimónias da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Na madrugada de segunda-feira lá estarei, mais uma vez, munido de pipocas, à espera dos Oscars.
Todos os anos sucede o mesmo: indigno-me com a ausência de alguns filmes (assim de repente lembro-me de "Drive") na lista de nomeados e questiono-me sobre as razões de outros filmes estarem na lista ("Meia-Noite em Paris", por exemplo).
Sei que as estatuetas valem o que valem (onde é que já li isto?), que não estarei de acordo com alguns dos vencedores, mas, ainda assim, faço questão de assistir ao espectáculo que este ano volta a ter Billy Crystal como mestre de cerimónias.
Mesmo não tendo visto todos os filmes, eis algumas considerações nas principais categorias:
FILME: Gostava que ganhasse "Os Descendentes", mas acho que ganha "O Artista".
REALIZADOR: Tenho um palpite que o francês Michel Hazanavicius bate Martin Scorsese e Alexander Payne sem grandes dificuldades. PS- Não vi "A Árvore da Vida", mas era giro se fosse Terrence Malick (que nem por sombras marcará presença no Kodak Theatre) a ganhar.
ACTOR PRINCIPAL: Pitt e Clooney vão bem, mas ficará bem entregue a Jean "O Artista" Dujardin.
ACTRIZ PRINCIPAL: Tenho pena que a enorme Meryl Streep ganhe o Oscar por um filme tão mediano como "A Dama de Ferro". Viola Davis ("As Serviçais") e Rooney Mara ("Millenium") têm interpretações igualmente excelentes. Se falamos de reconhecimento, também já era hora de premiar a carreira de Glenn Close (nomeada por "Albert Nobbs").
ACTOR SECUNDÁRIO: Christopher Plummer, por "Assim é o Amor", é a minha aposta. O também veterano Max von Sydow (ambos nascidos em 1929) pode ser surpresa? É difícil.
ACTRIZ SECUNDÁRIA: Vi quatro das nomeadas. Penso que a vencedora será Octavia Spencer ("As Serviçais").

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Artista


Uma cena de "O Artista"

Finalmente consegui ver "O Artista". Gostei e, por isso, recomendo-o a quem ainda não o viu. O filme, cuja acção se passa em finais da década de 20 e inícios de 30 do século passado, é uma homenagem sentida a esse período da Sétima Arte, altura em que se fazia a transição do cinema mudo para o sonoro.
Os franceses Jean Dujardin e Bérénice Bejo, nomeados para o Oscar de actor principal e actriz secundária respectivamente, são extraordinários na pele de George Valentin e Peppy Miller. Tenho o palpite de que o protagonista - que vi há poucos meses na pele de Ludo no excelente "Pequenas Mentiras Entre Amigos" - irá levar para casa a estatueta.
O cliché de uma imagem valer mais do que mil palavras é aqui comprovado. Durante o filme, há imagens marcantes que revelam grande sensibilidade do realizador e argumentista Michel Hazanavicius, que tira o máximo proveito da expressividade assombrosa de Dujardin, que tem num petit chien um parceiro irrepreensível de representação.
Bem vistas as coisas, não querendo desvalorizar os méritos da produção, "O Artista" conta uma história comum (declínio de uma estrela do cinema mudo e a ascensão de outra com o advento do sonoro). Creio que se a produção fosse, de facto, de 1927 seria apenas mais um filme e não teria nada de extraordinário que o demarcasse dos demais.
Mais do que o durante e o depois, imagino a perseverança que foi necessária para conseguir que o projecto visse a luz do dia em 2011. "Bom dia, sou francês, o meu nome Hazanavicius e gostaria de fazer um filme a preto e branco mudo. Estão interessados em financiá-lo?". WTF terão pensado em uníssono todos os que ouviram esta conversa (quem os pode censurar?).
Hoje, todos os que entraram na loucura vêem o risco compensado. Palma de Ouro, Globos de Ouro e BAFTA reconhecem o trabalho efectuado. Só já falta mesmo a Academia reconhecer o filme na madrugada da próxima segunda-feira.
Dos nove nomeados para melhor filme, vi cinco: "O Artista", "Os Descendentes", "Moneyball", "As Serviçais" e "Meia Noite em Paris". Entre os mencionados, preferi os três primeiros, mas são tão diferentes que é complicado comparar obras que nada têm em comum.