sábado, 14 de abril de 2012

Viesse mais cedo


À porta de uma loja na baixa de Setúbal lia-se a seguinte informação.

Tristeza


COMUNICADO
O TAS- Teatro Animação de Setúbal, companhia de teatro profissional desde 1975, a desenvolver actividade regular na cidade, região, distrito de Setúbal e no país, Entidade de Utilidade Pública, Medalha de Mérito da cidade de Setúbal e Membro Honorário da Ordem de Mérito, encontra-se numa situação financeira difícil.
Uma situação decorrente do atraso do pagamento do apoio atribuído e contratualizado em protocolo anual com a autarquia e os cortes de 100% por parte da Secretaria de Estado da Cultura que, em 2012, simplesmente decidiu não abrir Concurso às Artes. As candidaturas de apoio anual e pontual ficaram sem efeito até nova decisão do governo.
A agravar esta situação, acresce a falta de espaços aptos para apresentar espectáculos: o Teatro de Bolso está fechado à espera de obras, o Fórum Municipal Luísa Todi encontra-se em obras, e qualquer outra alternativa como as que temos vindo a utilizar – Convento de Jesus, Museu do Trabalho, Casa Bocage, Cinema Charlot ou Teatro Fontenova – são efémeras, precárias e não permitem rentabilizar a nossa actividade de forma continuada e efectiva.
Temos feito todos os esforços, temos resistido e com boa vontade trabalhamos desde o início do ano sem salário e com muita dedicação, tendo cumprido todas as obrigações contratualizadas (até à data).
Apesar das dificuldades financeiras e consequentes instabilidades pessoais, estreámos uma peça em Março - Pandora Boxe. No entanto, já ultrapassámos todos os limites e não queremos prescindir das condições necessárias para garantir um trabalho com qualidade, coerência e dignidade que, reconhecidamente, temos oferecido à população ao longo de todos estes anos.
Não queremos pôr em causa o nível artístico das nossas produções e queremos continuar a contribuir para o desenvolvimento cultural da cidade. Para isso, é urgente minimizar o risco que corremos de ter que suspender a actividade até que se encontre uma solução.
Lamentamos ter que tomar essa decisão e apelamos à compreensão de todos neste momento “dramático”.
Setúbal, 13 de Abril de 2012
O Presidente da Direcção
Carlos Curto

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As minhas equipas


A caminho do título

Quem gosta de futebol tem em diferentes países clubes da sua preferência. Como é natural, incluo-me neste grupo. Nunca me interessou quem são os treinadores nem os jogadores que alinham por essas equipas. Nunca torci por um clube pelo facto de ter no seu plantel o craque A, B ou C ou por esse treinador ou jogador ter a nacionalidade X ou Y.
Assim sendo, eis os emblemas da minha simpatia no Velho Continente:
Espanha - Real Madrid
Inglaterra - Liverpool
Itália - Juventus / Sampdoria
Alemanha - Borussia Dortmund

Nota 1: parece-me desnecessário referir o meu clube português.
Nota 2: não é mera coincidência colocar este post no dia em que o Borussia Dortmund deu, a quatro jornadas do fim da Bundesliga, um passo decisivo para a revalidação do título de campeão alemão, ao bater, no Westfalenstadion, o Bayern Munique, por 1-0.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Brunch na Fábrica

Não sei se já vos tinha dito que gosto muito do conceito de brunch. Tenho aproveitado algumas das minhas últimas visitas à capital para explorar alguns dos estabelecimentos que proporcionam uma combinação entre breakfast e lunch.
Desta vez, testámos o "Café na Fábrica", na LX Factory. Estava tudo óptimo e, mais do que as iguarias, adorei o ambiente tranquilo do espaço. O facto de ser véspera do dia de Páscoa contribuiu com certeza para o facto de termos, quase literalmente, o brunch só para nós.
De seguida, sem pressa, demos um pulo à livraria "Ler Devagar". Esteve-se lá muito bem!


Mesa de brunch no "Café na Fábrica"


Uma perspectiva da livraria "Ler Devagar"


A V esmerou-se e a foto até ficou gira

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Grande Gatsby


Quase 17 anos separam as duas leituras


Em 1995, a edição de bolso custou 550 escudos

Em 1995, quando frequentava o 12.º ano de escolaridade, "The Great Gatsby", de F. Scott Fitzgerald, fazia parte das obras de leitura obrigatória de Inglês. Como quase tudo o que nos é imposto, li contrariado e despachei, o mais rápido que pude, as páginas escritas na década de 20 do século XX pelo autor norte-americano.
Quando tinha 18 anos, a literatura clássica não era propriamente uma prioridade para mim. Gostava de ler, mas aquilo que me apetecesse: jornais desportivos, revistas de futebol, livros de História e Geografia estavam entre as minhas preferências. Reconheço agora que poderia ter começado mais cedo a alargar os meus horizontes, mas, na altura, não pensava dessa forma.
Passados quase 17 anos, resolvi reler "O Grande Gatsby". Desta vez porque me apetece fazê-lo e não porque faz parte das obras de leitura obrigatória decretadas pelo Ministério da Educação, pela Escola ou pela senhora professora. "Sonho americano" e "self-made man" são conceitos que associo de imediato ao livro de F. Scott Fitzgerald.
Devo confessar que a recente descoberta de Haruki Murakami levou-me a este regresso a "O Grande Gatsby". O autor, que traduziu para japonês várias obras de Fitzgerald, menciona nalguns dos seus livros o romance americano e esse facto também contribuiu para a releitura de Gatsby.
Descobri também que o realizador australiano Baz Luhrmann, responsável por "Moulin Rouge", vai transpor a obra para cinema ainda este ano. A estreia, segundo o IMDB, está prevista nos Estados Unidos para - se o mundo não acabar antes - 25 de Dezembro. Leonardo Di Caprio, Carey Mulligan e Tobey Maguire darão vida, respectivamente, a Jay Gatsby, Daisy Buchanan e Nick.

domingo, 8 de abril de 2012

Futebolês - parte 2


Na Sexta-Feira Santa, durante mais um jogo de futebol que opôs as equipas de juniores do Vitória e do Benfica (já a 12 de Fevereiro, com os mesmos protagonistas frente-a-frente, o futebolês tinha dado uma boa colheita: http://comovaiasaudinha.blogspot.pt/2012/02/futeboles.html), ouvi mais duas expressões curiosas.
Para o caso de se pretender ofender alguém de forma vulgar grite-se de pulmão cheio "vaso de entulho". Quem quiser ser mais pomposo pode utilizar antes a expressão "vaso de resíduos de construção e demolição", mas duvido que surta o efeito de descompor o visado. Atenção: "vaso de entulho" e "vaso de merda", apesar de poderem parecer à primeira vista, não são sinónimos.
A outra pérola proferida por um espectador, curiosamente (ou não) o mesmo autor da mencionada anteriormente (um gentleman em pessoa), foi "nasceste na lama, mas não gostas de eiroses". Refira-se que a eirós é uma espécie de enguia que vive na lama. Aqui está a prova de que há rufias que podem, em simultâneo, ser autênticos poetas com vastos recursos metafóricos.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Os Jogos da Fome


Corre Katniss, corre...

Devo andar muito distraído! Desconhecia até há bem pouco tempo que "The Hunger Games - Os Jogos da Fome" é um fenómeno literário à escala mundial.
A adaptação da obra de Suzanne Collins ao cinema está - também dei uma ajudinha - a bater recordes de bilheteira em todo o mundo.
A permissa da história não é nova, mas prende o espectador: 24 jovens participam nos Jogos para lutarem entre si até à morte. Ah, o evento é transmitido em directo na televisão.
Da minha parte, o filme de Gary Ross tem nota positiva. Além da acção e de ser visualmente muito apelativo, o que mais contribuiu para o resultado final foi a escolha de Jennifer Lawrence, que veste a pele da protagonista Katniss Everdeen.

domingo, 1 de abril de 2012

Desconcertante

Utilizo no título uma expressão tantas vezes utilizada pelo crítico João Lopes para vos falar de "Shame - Vergonha". O filme, realizado por Steve McQueen, acompanha um homem que depende de sexo para se manter à tona em Nova Iorque, cidade em que exerce um cargo de destaque numa empresa.
Michael Fassbender é genial a interpretar Brandon. Por detrás de uma máscara de autocontenção, está um homem a viver no limite, preso num vício. A luta constante entre um medo incontrolável de intimidade (amor?) e a ânsia de sexo levam-no a viver de encontros ocasionais com estranhos.
A rotina de Brandon é quebrada pela chegada da sua irmã Sissy que vai abalar o (aparente) autocontrolo evidenciado até aí. A actriz Carey Mulligan está excelente - atenção à cena em que canta "New York, New York" - e pode orgulhar-se para sempre do trabalho realizado em 2011. É que além de "Shame", a inglesa participou na obra-prima "Drive" ao lado de Ryan Gosling.
A estrela do filme é, no entanto, Michael Fassbender. Sem a sua fabulosa interpretação (o actor despe-se, literalmente, física e emocionalmente), "Shame" não teria resultado. O sofrimento de Brandon é palpável para o espectador. Assistimos em privado ao que se passa na sua intimidade e vemos no seu rosto e gestos o sofrimento noutras ocasiões vislumbrados em toxicodependentes.

Partilho convosco uma das cenas que me ficou na retina. No metro, há atracção, sedução e... vejam por vós.

sábado, 31 de março de 2012

Festas e mais festas


Siiim, siiim e nããão!

Uma visita ao Festival do Queijo, Pão e Vinho, na Quinta do Anjo, Palmela, trouxe-me à memória episódios do passado. Até à minha adolescência fui a tantas feiras, mercados, romarias, festas, procissões, bailes e bailaricos que lhes perdi a conta. Em criança alinhava bem nas incurssões populares, na adolescência e anos seguintes ganhei-lhes aversão. Hoje... nem uma coisa nem outra.
A maioria das experiências que guardo destas vivências foram passadas na "terra": Toulões (concelho de Idanha-a-Nova). Quando íamos "à terra" - aldeia dos meus avós (só conheci os maternos) - as visitas às feiras das aldeias vizinhas eram, literalmente, dias de festa.
O meu avô vestia a roupa domingueira, preparava o cavalo e a carroça e lá íamos nós, muitas vezes a galope, com o vento a soprar na cara, em direcção à Zebreira, Alcafozes, Torre e outras localidades vizinhas.
Quase sempre com os meus irmãos e primos por companhia, havia ocasiões em que o meio de transporte era um reboque atrelado a um tractor. Ter numa aldeia um tio que toda a vida conduziu estas máquinas era um privilégio (e orgulho) para mim.
Ao contrário do Festival da Quinta do Anjo, que já vai na 18.ª edição, quase todas as festas das aldeias tinham um forte cariz religioso. Podem perguntar-me onde é a festa da Nossa Senhora das Cabeças, da Senhora da Azenha, da Senhora do Loreto e de São Domingos que não hesito na hora de responder. Nalguns casos até sou capaz de contar a lenda que esteve na génese de algumas das romarias.
Os tempos mudaram, mas há hábitos que não se perdem. Por todo o país há, anualmente, milhares de festas como as a que assisti no passado. Como antes acontecia comigo, há crianças que contactam nesses mercados e feiras com animais. Tenho a certeza que muitos dos visitantes citadinos que se deslocam com crianças a festas como a da Quinta do Anjo proporcionam-lhes um primeiro contacto com cavalos, burros e ovelhas.
Quando falo em contacto, refiro-me ao toque. Sentir o pêlo de um animal é diferente de vê-lo em 3D no cinema, montar um pónei é diferente de sentar numa moto eléctrica. Quando ouço e vejo a reacção das crianças que fazem fila para andar um minuto num burro e cujos olhos revelam uma curiosidade desmedida sobre o que vêem à sua volta, tenho a certeza de que todos os eventos como o Festival do Queijo, Pão e Vinho, a Ovibeja e a Festa do Cavalo (na Golegã) fazem todo o sentido.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Shame


A imagem é sugestiva e é alusiva a "Shame - Vergonha", filme que inaugurou a edição 2012 do Fantasporto e que planeio ver este fim-de-semana. O tema da obra, que tem Michael Fassbender e Carey Mulligan como protagonistas, é a dependência sexual. A realização está a cargo de Steve McQueen (não confundir com o actor de "A Grande Evasão", "Bullitt" e "Papillon". Esse já morreu há mais de 30 anos!).

quinta-feira, 29 de março de 2012

Destroce


Era só mais um bocadinho para a direita!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ulan Bator

Pode parecer estranho: há cidades que me fascinam imenso, mas que estão muito longe de ocupar uma posição de destaque na lista dos locais que mais gostaria de conhecer. Nesta categoria incluem-se urbes remotas que são tudo menos destinos óbvios.
Alice Springs, bem no centro da Austrália, é um desses casos, mas Ulan Bator, na Mongólia, encabeça a lista. A capital daquele país asiático, que faz fronteira com a Rússia e China, sempre me suscitou um tremendo interesse. Império Mongol, Genghis Khan e deserto de Gobi são palavras que associo de imediato ao país que jamais (tenho mesmo a certeza) visitarei.
Numa das minhas recentes pesquisas efectuadas sobre Ulan Bator, descobri num blog (http://radiganneuhalfen.blogspot.pt/) algumas fotos, de autoria de Timothy Fadek, que me deram uma nova (e diferente) visão da Mongólia e de Ulan Bator. Ei-las:


Mineiros jogam bilhar


Modelos nos bastidores da festa da moda de caxemira em Ulan Bator


Rio Tuul, Ulan Bator


Mulher em Erdenet, segunda maior cidade do país

PS- Sou fã da série "Portugueses pelo Mundo" e adoraria ver um episódio dedicado a Ulan Bator. Não duvido que encontrem por lá algum compatriota, mas cinco ou seis (normalmente os necessários para cada cidade), já deve ser mais difícil. Digo eu...

terça-feira, 27 de março de 2012

Vícios saudáveis


Secção Murakami.


Viciante: acaba um, começa outro!

«Aviso aos novos leitores de Murakami: cria dependência».
San Franscisco Chronicle

O alerta é dado na lombada do segundo volume de "1Q84" e é para ser levado a sério. Digo-o por experiência própria. No Natal ofereceram-me a primeira parte de "1Q84". Até aí só conhecia Haruki Murakami de nome, mas foi por pouco tempo. Li e gostei tanto que me senti impelido a ler mais palavras do autor. Seguiu-se "Norwegian Wood". Depois, o volume dois de "1Q84", que fora entretanto publicado. A seguir virá "Sputnik, meu Amor".
É hora de abrandar sob pena de, rapidamente, não ler mais nada a não ser livros da autoria do japonês. Já decidi que depois de "Sputnik, meu Amor" irei fazer uma pausa na obra de Murakami. Como já sei o que a casa gasta, tenho de o fazer para evitar despachar já tudo o que está publicado por cá. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando descobri Patricia Highsmith. Não descansei enquanto não devorei (com gosto renovado a cada enredo que lia) tudo o que encontrei disponível da autora americana.


Aqui está a prova!