quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Apontamentos

Em Downton Abbey são todos mais desalinhados do que aparentam


E esta, hein?!

Hoje de manhã por altura do dilúvio (que todos devem ter reparado)...

- O treino é à porta aberta?

- É.

- Mas vim de lá agora e a porta está fechada. Vão abri-la?

- Agora não vou ao outro lado, está a chover muito.

Sem comentários.


Vícios

Falo de séries que estão a passar neste momento na Fox e na FoxLife, respectivamente: "The Walking Dead" e "Downton Abbey". Quem as conhece sabe que não poderiam ser mais diferentes. Em comum só mesmo o facto de me deixarem desalentado sempre que surge o genérico final. Lá vou ter que esperar pela próxima semana (não vale a pena sugerirem o download, não sou fã).


Tretas

Li um artigo na última edição da Sábado que diz que "ouvir a música mais relaxante do mundo é mais tranquilizador do que uma massagem ou um chá calmante". Estão-me a querer dar chá, pensei. Uma coisa é dizerem que a música nos dá sono mais depressa do que a massagem - aí não duvido - agora que é mais relaxante? Vão lá gozar com o Camões.

Ainda assim, fui ao Youtube ouvir alguns acordes do top ten das músicas mais calminhas. Da tabela, que é liderada por "Weihtless", dos Marconi Union, fazem parte Enya, Coldplay, All Saints, Adele e Mozart. Confesso que ainda bocejei nalgumas delas, mas, garanto-vos, não senti, nem de perto nem de longe, uma sensação de relaxamento semelhante à de uma massagem.


Dúvida

Tintim ou não Tintim, eis a questão? No sábado de tarde dirigi-me ao cinema para ver o filme de Spielberg, mas a sessão foi cancelada porque ia ter lugar um evento na sala. Daí para cá estou na dúvida, vou ou não vou? Três pessoas já mo recomendaram, o crítico da Tentações dá 63%... É daqueles casos: nem estou empolgado nem coloco de parte vê-lo. A ver vamos.


É agora

Algum dia tinha de ser. Será no domingo...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Todos-os-Santos

Amanhã é dia de Todos-os-Santos, apesar do dia dos defuntos (segundo a Wikipedia) ser celebrado a 2 de Novembro. Manda a tradição que os crentes visitem os seus entes entretanto falecidos. Não é de um dia para o outro que tradições enraizadas durante séculos se quebram. Para muitos o ritual de ir ao cemitério visitar os que já partiram é reconfortante e nada, nem ninguém, o poderá alterar.
No entanto, parece-me óbvio que este é um daqueles feriados que não fazem qualquer sentido. Todos concordarão que a visita aos túmulos não tem data nem hora marcada. Ninguém precisa de um feriado para o fazer quando existem 365 dias para deixar flores junto daqueles que - como dizia o meu avô - já estão "na terra da cadela".
Os tempos são outros. Nem todos os defuntos são sepultados, cada vez mais recorre-se à cremação. Em muitos desses casos, dependendo do fim que se deu às cinzas, basta olhar o mar, passear num bosque, olhar para um recipiente de porcelana junto à lareira ou visitar um cantinho recôndito onde alguém foi muito feliz. Tão feliz que deixou expresso o desejo de transmitir aos seus mais próximos que era aí que gostaria de repousar para todo o sempre.
Sempre que parte alguém a quem pertencemos ou, mais trágico ainda, que nos pertencia (não imagino maior sofrimento do que um pai/mãe quando perde um filho) a dor é imensa. Cada pessoa expressa-a à sua maneira, com ou sem lágrimas no rosto, na solidão ou em público, e sem o auxílio de velhas carpideiras.
A primeira vez que a palavra "morte" entrou na minha vida estudava na escola primária e surgiu sem aviso. O Luís, meu colega de sala, fora encontrado morto em casa, com uma corda ao pescoço na casa de banho. Imaginem a confusão que é para uma criança de 7/8 anos ouvir que outra da mesma idade se enforcou. Porquê? Ainda hoje não tenho qualquer certeza. Não era amigo do Luís, era apenas mais um colega, mas lembro-me dele mais do que uma vez por ano.
Uns anos mais tarde - tinha 12 - perdi a minha avó (a única que conheci). Fiquei desolado, mas ainda hoje me recrimino por não ter chorado. Quando tinha 16 anos aconteceu o mesmo com a morte do meu amigo Nuno. Lembro-me de todos os meus amigos chorarem excepto eu. Já em 2008, foi o meu avô. Nunca precisei do feriado de 1 de Novembro para o visitar. Lembro-me de todos eles com frequência e, enquanto isso acontecer, sei que estou a homenagear as suas memórias.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Aki já há Natal


"Já chegou um catálogo de Natal do AKI e não me disseste nada!"

Foi desta forma que me dei ontem conta de que mais um Natal está à porta não tarda nada. Convém esclarecer que nada tenho contra a data. Pelo contrário, até gosto muito do Natal e do que esta festa simboliza. Se não gostasse, tenho consciência de que estava tramado e de que a ocasião seria penosa em todos os sentidos.

PS - Já fui informado que é necessário comprar chocolatinhos para a árvore. Também tenho a certeza de que a conífera artificial vai ganhar outros novos adereços (é já uma tradição anual).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Lindo!

Na sequência do post anterior, partilho convosco as frases vencedoras do passatempo da Dica da Semana, que chegou ontem à caixa do correio. A forma como os autores incluem no verso o vinho Festa Rija, o azeite Chaparro e as Carnes Várzea é de artista. Digam lá que não é?

A Dica não dispenso ler,
Pois compro mais e menos gasto,
Vou descansar e um Festa Rija beber,
No Água Hotels Mondim de Basto!
Jorge Coutinho

No Água Hotels Mondim de Basto,
Vou ler a Dica e descansar,
Chaparro é o azeite que eu gasto,
Todo o ano para cozinhar!
José Monteiro

No Água Hotels Mondim de Basto,
Será um sonho descansar,
Carnes Várzea para o repasto,
E mais o que a Dica aconselhar.
Manuel Carvalho

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dica da Semana

Além das habituais contas de electricidade, água, gás e televisão/telefone/internet, há outros papéis que a minha caixa de correio - qual caixote de lixo - não dispensa. Mesmo existindo à entrada do prédio um autocolante a dizer PUBLICIDADE NÃO ENDEREÇADA AQUI NÃO, OBRIGADO, deparo-me, com mais frequência do que seria desejável, com panfletos do Minipreço, Jumbo, Modelo, Intermarché, Bricomarché, Stationmarché, professores Bambos, Mokambos e Kanimambos, canalizadores, pintores e trolhas, imobiliárias, ginásios, clínicas dentárias and so on...

Depois há... a Dica da Semana. Pára tudo! Aqui a coisa torna-se mais séria. A Dica não é um panfleto qualquer. É do Lidl e vem (mal) disfarçado de jornal. Há uma entrevista e algumas notícias retiradas da Lusa, receitas, cartas astrológicas e programação televisiva, mas a minha parte preferida é, sem dúvida, a do passatempo em que se pode ganhar uma estadia num hotel ou em turismo rural no nosso Portugal.

O prémio até é interessante se tivermos em conta que basta enviar um sms, mas o desconcertante é aquilo que é necessário fazer para ter uma noitada à borla. Convenhamos que pegar num produto do Lidl - tomemos como exemplo a "Posta de Atum Nixe", o "Grão de Bico Campo Largo" ou o "Tomate pelado Nostia" (exemplos reais da edição de 20 de Outubro que chegou ao correio) - e construir uma frase original, juntando o nome do hotel em que se poderá pernoitar, não é tarefa fácil.

Meus amigos, como leitor atento desta secção da Dica, esclareço que o importante não é a criatividade. O que interessa mesmo é que as palavras rimem. Já estou a imaginar: "Com postas de atum Nixe, vou ter uma noitada fixe..."

O poeta popular António Aleixo ficaria boquiaberto com a quantidade de pretendentes que tentam seguir-lhe as pisadas. Em cada leitor da Dica, há um poeta em potência. Não há feijão frade, mortandela nem cogumelos laminados que nos separem da erudição. Pois é, não pensem que não sei do que falo, porque também já tentei a minha sorte e puxei dos galões ao escrever o meu poema utilizando a "Pimenta preta moída Kania", mas parece que nessa semana a concorrência era fortíssima!

A desmoralização foi tanta que nunca mais concorri. Foi a dica que recebi essa semana.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Geografia

Igualzinho ao que tenho cá em casa.


Aviso: estejam descansados, não vou falar das calinadas da Cátia, concorrente da Casa dos Segredos, a propósito da (des)localização de países e continentes.

Quem me conhece sabe que uma das minhas grandes paixões é (e sempre foi) a Geografia. Desde criança, mesmo antes de aprender a ler, os mapas sempre exerceram sobre mim um enorme fascínio. Efeito que permanece até hoje.

As formas dos continentes, as linhas que separavam pequenas parcelas de território - umas a régua e esquadro (África e América do Norte) e outras com linhas de fronteira "nervosas" (Europa) -, as capitais, as bandeiras, as línguas, a população, foram durante muitos anos lidas com um prazer difícil de explicar.

Creio que um dos factores que contribuiu para o surgir desta paixão veio com as cadernetas de futebol. Nessa altura, além dos rostos dos jogadores presentes em campeonatos do mundo e europeus, havia nas páginas de cada selecção uma informação geral básica sobre os países de onde eram oriundas as equipas.

Depois de conhecer um pouco de cada um dos países e numa altura em que já sabia juntar A+B, parti para a fase seguinte: quem são os vizinhos de cada país, quais as religiões professadas e qual o sistema político em vigor em cada nação. A curiosidade não tinha limites e o globo terrestre dava pano para mangas. Para mim era uma brincadeira, não era estudo, não havia obrigação. Mais tarde, alguns capítulos da História produziram em mim fascínio semelhante, mas a verdade é só uma (por mais lamechas que isto soe): não há amor como o primeiro.

Ainda hoje, com muita frequência, dou por mim a olhar para o planisfério que tenho na secretária por debaixo do portátil e para o globo terrestre que tantas vezes girei na adolescência em casa da minha mãe e que faço questão que me acompanhe até hoje. Para matar o tempo, em alturas de espera, desenho mentalmente e, por vezes, de caneta em riste em folhas de papel países uns ao lado dos outros. Sem nenhuma razão aparente, apenas porque gosto de o fazer.

Por vezes ocorre-me que estou na profissão errada e que talvez fosse mais realizado se ensinasse Geografia. Será? Impossível responder. Se tivesse mantido a minha candidatura inicial ao Ensino Superior (posteriormente eliminada e a ordem de preferência invertida) - em que Geografia era prioritária sobre a Comunicação Social - teria sido colocado depois de concluir o curso? Olho à minha volta e vejo professores que não estão a fazer aquilo com que sempre sonharam. Será que teria sido diferente comigo, ainda para mais numa cadeira de Geografia?

Felizmente há ainda muito para descobrir sobre este tema. Não sei, nem de perto nem de longe, os nomes de todas as capitais do mundo, nem os todos os países que surgiram com o desmembramento da URSS nem se o arquipélago A, B ou C no Pacífico pertence ao Reino Unido, França ou se é independente. Num mundo em constante mutação - ainda sou do tempo em que havia a Checoslováquia, a Jugoslávia e a União Soviética - muito mais está (e vai) acontecer e muito refresh tem de ser feito.

Pelos vistos, nem o nosso pequeno Portugal escapa a uma actualização geográfica, já que muitas freguesias vão, literalmente, desaparecer do mapa.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

The Walking Dead

Tenham medo, tenham muito medo.


Hoje foi madrugada de mortos-vivos! «Já vens tarde», dirão alguns e «só agora?», perguntarão outros. É verdade, só agora contactei com The Walking Dead e, meus amigos, temos série, temos suspense, temos sangue e vísceras a rodos.

Vê-la de forma ininterrrupta - aqui está a prova de que nem só os Oscars me levam a fazer uma directa em frente da televisão - é uma experiência tremenda. Cada final de episódio deixou-me a salivar por mais, a avidez era tal que não resisti e papei os seis da primeira série de uma assentada.

De The Walking Dead (o nome não engana!) só sabia que havia mortos-vivos. Nada mais. Só ao ver o genérico inicial descobri que se trata de uma obra criada por Frank Darabont. Soubesse eu disso e há mais tempo a teria descoberto. É que este senhor é "apenas" o realizador e argumentista de um dos meus filmes preferidos de sempre: "Os Condenados de Shawshank". Só por isso, mesmo que fizesse só merda o resto da vida - o que até nem é o caso - mereceria para sempre o meu respeito.

Além da presença de vários rostos familiares da filmografia de Darabont, consigo encontrar em The Walking Dead várias semelhanças com o excelente "The Mist - Nevoeiro Misterioso", filme baseado no livro de Stephen King (também aqui existem criaturas sedentas de sangue, mas de outra espécie).

Uma das imagens mais marcantes da primeira série é a do protagonista a chegar a cavalo à deserta e apocalíptica cidade de Atlanta. Não se vê um único morto-vivo, mas sabemos - tal qual uma rua vazia de uma cidade do Velho Oeste - que é sol de pouca dura até se dar o inevitável encontro com o perigo.

Para os mais sensíveis, que não apreciam séries do género e adoram filmes como "O Amor Acontece", posso garantir-vos que vão encontrar algo em comum entre The Walking Dead e o filme puzzle de Richard Curtis. Não acreditam? Lembram-se da cena da declaração de amor a Keira Knightley com cartões e música à porta de casa? Ah pois é (e mais não digo)!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Alta definição

Gosto (muito) de Monica Bellucci


Este é o momento "Alta Definição" do Saudinha. Imaginei que estava a ser entrevistado por Daniel Oliveira e respondi - não, não vou confessar «o que dizem os meus olhos»! - da seguinte forma à questão gosto/não gosto.


Gosto de Javier Bardem, não gosto de Antonio Banderas

Gosto de orelha de porco, não gosto de chispe

Gosto do Vitória, não gosto do Benfica, do FC Porto nem do Sporting

Gosto de encharcadas, não gosto de queques

Gosto de Monica Bellucci, não gosto de Silvio Berlusconi

Gosto de Catarina Furtado, não gosto de Cristina Ferreira

Gosto de lulas recheadas, não gosto de feijão frade

Gosto de Aljezur, não gosto de Quarteira

Gosto de sangria, não gosto de vinho

Gosto de cinema, não gosto de tourada

Gosto de Carlos Paião, não gosto de Tony Carreira

Gosto de teatro, não gosto de circo


Gosto do Real Madrid, não gosto do Barcelona

Gosto de fiordes, não gosto do deserto

Gosto de José Saramago, não gosto de Agustina Bessa-Luís

Gosto da Argentina, não gosto do Suriname

Gosto do Natal, não gosto do Carnaval

Gosto de varandas, não gosto de marquises

Gosto de Hitchcock, não gosto de Ron Howard

Gosto de viajar, não gosto de esperar

Gosto de Moscatel, não gosto de whisky

Gosto do Renascimento, não gosto da Idade Média

Gosto de farturas, não gosto de carrosséis

Gosto de conduzir, não gosto de Fórmula 1

Gosto de Patricia Highsmith, não gosto do CSI

Gosto de Dexter, não gosto da Academia de Polícias 2, 3, 4, 5...

Gosto de massagens, não gosto de dormir sem almofada

(...)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Kate Winslet


Não conheço ninguém que não reconheça o talento de Kate Winslet. Na história da Sétima Arte poucos são os casos que reúnem tamanho consenso. A actriz é boa em tudo o que faz mesmo que algumas das obras em que tenha participado não superem a mediania. No entanto, o que fica são os papéis inesquecíveis em filmes que, por uma ou outra razão, tornaram-se marcantes para cada um de nós.

No dia em que completa 36 anos - se vires este post: parabéns Kate! - deixo o meu top ten dos filmes preferidos em que a inglesa intervém. Tenho a certeza de que o melhor entre os melhores ainda está para chegar e que, independentemente do rumo que dê à sua carreira, é já uma das minhas actrizes preferidas de sempre.



1- Pecados Íntimos (2006) / 2- O Despertar da Mente (2004) / 3- O Leitor (2008) / 4- Revolutionary Road (2008) / 5- Sensibilidade e Bom Senso (1995) / 6- Titanic (1997) / 7- À Procura da Terra do Nunca (2004) / 8- Iris (2001) / 9- Quills - As Penas do Desejo (2000) / 10- O Amor não tira Férias (2006).


Nota: Segunda-feira (dia 10 de Outubro) estreia na FoxLife "Mildred Pierce", série em que Winslet é protagonista e contracena com Guy Pearce, Evan Rachel Wood, Melissa Leo e Hope Davis. Não vou perder.


Sinopse: ‘Mildred Pierce’ é mais uma série que mostra o poder feminino ao contar a história de uma mulher independente que luta para ser algo na vida. Dona de casa na época da depressão americana, Mildred Pierce é uma mulher determinada e cheia de ambição que não vai descansar até encontrar um trabalho que faça jus à sua condição.

Esta série é uma adaptação do romance de James M. Cain de 1941 que conta a história de uma dona de casa Mildred Pierce (Kate Winslet) que procura trabalho, durante os anos da Grande Depressão, para tentar manter o seu estilo de vida da classe média depois de o seu marido a deixar com duas filhas adolescentes. Fonte: FoxLife

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Istambul


Uma das coisas que mais adoro nas viagens é a possibilidade de visitar locais que marcaram a História. Durante anos li e ouvi os meus professores falarem em Istambul, a antiga Bizâncio e Constantinopla, e no passado mês de Junho conhecia-a in loco.

A experiência foi única e são muitos os aspectos que contribuíram para guardar na memória a cidade que outrora foi capital dos impérios bizantino e otomano. A influência de povos, culturas e religiões que por lá passaram são evidentes em cada praça e nas ruas mais insuspeitas.

Ao chegarmos a solo turco há dois aspectos que saltam à vista do visitante: primeiro a grande quantidade de minaretes existentes e que assinalam a presença de mesquitas (número que aumenta à medida que nos dirigimos para o centro da cidade) e, em segundo lugar, as bandeiras turcas que se elevam aos céus em promontórios estrategicamente colocados.

A simpatia da população é uma constante e, ao contrário da ideia pré-concebida que levava, não são (muito) chatos na hora de comercializar. Para o turco tudo é negócio: começa a chover vendem-se chapéus de chuva, à entrada da universidade uma banca vende material escolar, na praça milho para os pombos, no Grande Bazar transporta-se uma balança para que os clientes se pesem...

Para o habitante de Istambul, Portugal é futebol. Esqueçam os Descobrimentos, Camões, Pessoa, Saramago e Amália. O que está a dar é José Mourinho, Cristiano Ronaldo e Figo. Agora há também os jogadores portugueses que actuam no Besiktas: Quaresma, Simão, Hugo Almeida, Manuel Fernandes e Bebé (na altura ainda o treinador Carvalhal não tinha chegado).

Estive junto ao estádio do Besiktas não para procurar nenhum compatriota, mas para visitar o Palácio Dolmabahçe (opulência ao estilo de Versalhes). É apenas um dos locais de visita obrigatória para quem viaja até Istambul.

No entanto, há mais, muito mais, por onde se perder. Na Praça de Sultanahmet está a Mesquita Azul e a Hagia Sofia, há também o Palácio de Topkapi (antiga residência dos sultões), a Cisterna da Basílica (sustentada por mais de 330 colunas com mais de 8 metros de altura) e os Bazares (o Grande, do Livro e o das Especiarias, também conhecido por Egípcio).

Não sei se o ditado "uma imagem vale mais do que mil palavras" é apropriado. Ainda assim, aqui ficam algumas fotos da nossa viagem a Istambul.



Mustafá Kemal Atatürk, fundador da República da Turquia, numa bandeira no Grande Bazar


Os minaretes são uma presença constante em Istambul


A Mesquita Azul deve o seu nome aos azulejos azuis de Iznik do seu interior


Não foram os 60 metros de altura que me dissuadiram de subir à Torre Gálata, mas a fila de espera



Hagia Sofia tem mais 1400 anos. Foi igreja, mesquita e hoje é Museu. Fabuloso!


O Obelisco Egípcio fica no local onde outrora se situava o Hipódromo


Vista do Corno de Ouro a partir do Palácio de Topkapi


A Ponte de Gálata com a colina de Beyoglu em pano de fundo


À pesca em Istambul


Pormenor do Grande Bazar


À porta da universidade... há uma papelaria


Dê cá uma moeda, suba para a balança e... faça dieta



Um turco simpático a vender, literalmente, o seu peixe



Happy couple at Topkapi Palace


O lugar do sultão na Sala do Trono no Palácio de Topkapi



Cisterna da Basílica. Pormenor de uma coluna sustentada por uma cabeça de Medusa


Passeio no Bósforo com vista para a Fortaleza da Europa


Entrada para o pátio que dá acesso à escondida Igreja de São Pedro e São Paulo


Junto ao Palácio de Dolmabahçe fiquei corado!


Fashion moment numa rua de Istambul

Mulher fotografa criança nos jardins do Palácio de Topkapi


Também tivemos direito ao nosso momento kitsch à beira-Bósforo


Chá? Aprovado. Café? Nop.



domingo, 2 de outubro de 2011

Amor, estúpido e louco

Steve Carell e Julianne Moore. Almas gémeas?


Gosto muito de Steve Carell e Ryan Gosling, mas gosto ainda mais de Marisa Tomei e Julianne Moore. Tê-los junto num filme é meio caminho andado para dar um saltinho ao cinema. Em boa hora o fiz porque "Amor, estúpido e louco" é mais do que a comédia que aparenta ser para quem se limita a look at the trailer.

Façam como eu e deixem as expectativas elevadas junto à bilheteira, pensem apenas em passar duas horas agradáveis em boa companhia e abstraiam-se das notícias do dia-a-dia. Comigo funcionou e no final só me ocorreu dizer: "ainda bem que viemos".

A permissa é simples e recorrente: a mulher (Moore) revela ao marido (Carell) que o traiu e que quer o divórcio ao fim de 25 anos de casamento. O marido resignado, mas tem dificuldade em gerir a ideia, refugia-se num bar onde conhece um engatatão (Gosling), que promete transformá-lo de modo a reconquistar a sua "alma gémea".

É claro que estão lá os clichés do costume - até uma das personagens o reconhece quando começa a chover num momento em que era expectável que isso acontecesse - e alguns exageros típicos de comédias românticas protagonizadas por Jennifer Aniston ou Katherine Heigl. Perto do final há também uma revelação (de parentesco) que parece forçada, mas, mesmo assim, o filme nunca descamba.

Há cenas marcantes como o momento "Dirty Dancing", a reunião dos pais com a professora (Tomei) e - para mim o momento mais bonito do filme - o do telefonema nocturno para ajudar a ligar o quadro da electricidade. Há também o filho Robbie (interpretado por Jonah Bobo) que está perdidamente apaixonado pela babysiter Jessica (Analeigh Tipton), que, claro, está mais interessada no pai de Robbie.

Apesar de estar claramente uns furos abaixo de "Little Miss Sunshine - Uma família à beira de um ataque de Nervos" (mais um título estúpido), que curiosamente passou numa madrugada deste fim-de-semana na TVI, momentos houve - não me refiro apenas à presença de Carell - em que vislumbrei alguma da sensibilidade presente nesse filme de 2006.

Ah, as (e os) apreciadoras de Ryan Gosling vão ter oportunidade de vê-lo num papel em que mostra os resultados do trabalho feito no ginásio. «Até parece que tem photoshop», exclama a personagem interpretada pela belíssima Emma Stone.

"Amor, estúpido e louco", escrito por Dan Fogelman e realizado por Glenn Ficarra e John Requa, está em cartaz desde 22 de Setembro e promete continuar mais umas semanas.

sábado, 1 de outubro de 2011

Blog de papel


Digam lá que a capa do primeiro número não é bem sugestiva?


Eis mais uma prova de que as novas tecnologias - internets e afins - não são uma ameaça para os suportes tradicionais em papel. A versão lusa de "The Printed Blog", que propõe reunir alguns textos produzidos na blogosfera nacional, só existe graças ao suporte digital.

O primeiro número saiu para as bancas em Agosto (perdi-o porque não sabia da sua existência), mas a edição de Setembro está cá em casa e foi lida na íntegra. Recomendo-a. Rui Zink, Lauro António, Pedro Rolo Duarte e Edson Athaíde são alguns dos nomes mediáticos que participaram na edição de Setembro, mas há muito mais a descobrir. Eu, por exemplo, gostei muito de ler também as contribuições de Sónia Morais Santos (autora do blog coconafralda), Menina Limão (gostei muito do texto que escreveu sobre o filme Eva, de Mankiewicz) e Tiago Mesquita.

"The Printed Blog" custa 1,95 euros e tem muito mais do que palavras. A aposta na fotografia também é evidente e a entrevista a Barry Hatton, inglês que que vive em Portugal há quase três décadas e escreveu o livro "Os portugueses - Uma história moderna" , vale bem a pena.

Venha o próximo número.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tortura obrigatória



Há ano e meio que sei por experiência própria que a prática desportiva é óptima para a saúde. Se o facto de frequentar um ginásio com regularidade trouxe inúmeras (e visíveis) alterações à minha pessoa, há outras coisas que permanecem inalteráveis.

Não há um único dia em que vá ao ginásio com genuína vontade. Faço-o por obrigação porque sei que dessa forma estou a tratar da minha máquina. Aliás, a melhor parte do treino é mesmo quando termina. Nunca subi a uma passadeira, bicicleta ou elíptica com prazer. Nunca levantei um haltere, fiz uma flexão ou abdominais com gosto.

Fico satisfeito por muitos não sentirem o mesmo que eu. Há entusiastas da malhação que só de os ver fico cansado. Acho impressionante a quantidade de peso que conseguem levantar e a forma desaustinada como pedalam numa aula de cycling (com neons e música em volume altíssimo). Apesar de céptico, talvez um dia atinja o patamar dos verdadeiros profissionais do gym.

Sentir dor, ardor, calor, cansaço e transpiração num mesmo local jamais será um prazer para mim. Adoro cinema, viajar, visitar museus e estar numa esplanada a ler uma revista. Garanto-vos que se estes prazeres da vida implicassem ter, de uma assentada, os sintomas que tenho quando vou ao ginásio, o deleite passaria a ser tortura.

Sei que muitos também pensam como eu (bem vejo as expressões corporais e, sobretudo, faciais de quem me rodeia no ginásio), mas isso não nos impede de voltar, no dia seguinte, a fazer a mala e regressar a um local onde somos punidos pelos excessos que são cometidos no dia-a-dia. O melhor de tudo é que a infelicidade - era bom que fosse sempre assim - tem hora certa para terminar. Ao fechar a porta do ginásio, a sensação de dever cumprido é impagável. Sentimo-nos rejuvenescidos e prontos para encarar com forças redobradas as horas que temos pela frente.

Amanhã volta a ser dia de luta.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Séries ilimitadas

Depois de ver cada episódio era certinho: tudo para a rua a imitar as coreografias de lutas que acabáramos de ver



Julianna Marguiles brilha de forma intensa em "The Good Wife", série que está a passar na Fox Life




Há dias em que dou por mim a pensar que o melhor era ter apenas dois canais de televisão. Foi assim até 6 de Outubro de 1992, dia em que nasceu a SIC. Nessa altura não havia dilemas lá em casa (a dos meus pais, entenda-se): ou víamos a RTP1 ou a 2. Não precisávamos de mais para termos um final de tarde ou um serão bem passado. "Macgyver", "Soldados da Fortuna", "Os Três Dukes", "Os Jovens Heróis de Shaolin", "Bonanza", "Um Anjo na Terra", "V-Batalha Final", "Crime disse ela", "O Justiceiro", "O Barco do Amor" eram algumas das séries da altura.


Cada novo episódio tinha o condão de reunir a família na sala em torno da televisão (lá em casa, na década de 80 e inícios de 90, existia apenas uma e era a preto e branco). Para mudar de canal ou baixar/aumentar o volume era preciso levantar o rabo do sofá. Lembro-me que o primeiro vídeo que tivemos foi comprado em Janeiro de 1990. Foi um momento tão marcante que acho que eu e os meus irmãos não saímos de casa durante duas semanas para paparmos todos os filmes de ninjas disponíveis na altura.


Os tempos agora são diferentes e os níveis de exigência são, seguramente, outros. Com a chegada da TV por cabo, a oferta de séries oriundas dos EUA aumentou exponecialmente. A qualidade da ficção é inegável e o problema é arranjar tempo para ver todas. A box cá de casa está carregadinha de gravações. "The Good Wife", "Sem Escrúpulos", "Uma Família Muito Moderna" são actualmente as que acompanho religiosamente por considerá-las excelentes. Uns furos abaixo, mas interessante sob o ponto de vista histórico, está "The Kennedys", série que mostra que Katie "Cruise" Holmes, no papel de Jackie Kennedy, tem qualidades para sair da sombra do marido no que à representação diz respeito.


A listagem das minhas séries preferidas não fica por aqui: "Boardwalk Empire" e "Dexter" (acabei de me erguer e fazer uma vénia àquela que é, para mim, a melhor entre as melhores) são também imperdíveis. O problema é que não há forma de reduzir o tempo que dedico ao visionamento destas séries viciantes. A Fox Life, por exemplo, vai arrancar no dia 10 de Outubro com mais duas que vão fazer entupir ainda mais a box cá de casa: "Mildred Pierce" (com Kate Winslet) e "Downton Abbey" (dos criadores de "Gosford Park").


A este ritmo vou ter de, mais cedo ou mais tarde, seguir a estratégia utilizada por um colega e que me foi relatada há três ou quatro anos na altura em que a febre de "Perdidos" e "Prision Break" contaminou o nosso país. Dizia-me ele que cinco minutos em frente ao televisor eram suficientes para decidir sobre a qualidade de uma determinada série e, se fossem boas, como era o caso, desligava a televisão para não correr o risco de ficar viciado. É verdade que é simples e eficaz, mas, meu caro, não sabes o que tens andado a perder.


E vocês o que têm andado a ver? E o que recomendam?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Amadeus




Parece mentira, mas não é. Só na véspera de completar 34 anos de idade é que entrei pela primeira vez no Teatro Nacional D. Maria II para assistir a um espectáculo: "Amadeus". O receio de sair defraudado era grande, uma vez que se tratava de uma versão teatral baseada no texto de Peter Shaffer que, em 1984, deu origem ao filme homónimo - de que tanto gosto - realizado por Milos Forman.


Felizmente, os meus receios não se confirmaram. Gostei bastante de ver em palco a história de Antonio Salieri, interpretado por um competente Diogo Infante, e de Wolfgang Amadeus Mozart (um extraordinário Ivo Canelas). Confesso que é-me impossível avaliar a peça e abstrair-me do filme. O Salieri do filme de Forman é encarnado por F. Murray Abraham de forma portentosa e tenho esse desempenho como um dos melhores de sempre na história da Sétima Arte. Daí não ter ficado entusiasmado pela interpretação (repito) competente de Diogo Infante.


O mesmo não acontece com Ivo Canelas, que arranca uma performance magistral, abarcando os estados de espírito mais díspares, desempenho que nada fica a dever ao de Tom Hulce no filme que conquistou oito Oscares da Academia (entre os quais filme, realizador e - só podia - actor principal para F. Murray "Salieri" Abraham).


A peça, que tem encenação de Tim Carroll, está em cena na Sala Garrett até 6 de Novembro. Dê lá uma saltada, não se vai arrepender. Já eu, só me arrependo de ter estado tanto tempo sem pôr os pés no Teatro Nacional. Para me redimir, tenho já registada a minha próxima visita à Sala Garrett: "Quem tem medo de Virginia Woolf? (a cantar) Virginia Woolf, Virginia Woolf..."